Feliz ano novo com notícias desanimadoras para o futebol feminino

Falta um ano e meio pra Copa Feminina e algumas das últimas notícias não são nada animadoras. Em menos de 10 dias de um novo ano, as principais divulgações do futebol feminino vão de extinções de equipes a redução de investimento.

Um dos exemplos é o Fortaleza, que caiu para a Série B do Brasileirão Masculino, mas quem sofreu diretamente com o rebaixamento do masculino foi o time feminino. No final do ano, o clube divulgou o fim das atividades do futebol de mulheres, justificando que a decisão era necessária para garantir a responsabilidade financeira, o equilíbrio da operação e a sustentabilidade global do clube.

A notícia gerou muita indignação por parte do público e dos torcedores, já que as mulheres conquistaram o acesso pra Série A1 do Brasileirão e venceram a Copa Maria Bonita, desbancando equipes do Nordeste.

Outra equipe feminina que se desfez foi o Real Brasília do Distrito Federal. O time também desistiu de disputar o Brasileirão em 2026 por falta de patrocínio. E olha que não estamos falando de valores milionários para manter o custo dessa operação.

No Rio de Janeiro, o Flamengo anunciou a dispensa de sete atletas do Futebol Feminino – como a atacante Glaucia e as zagueiras Agustina e Sorriso. O clube carioca declarou que fez uma readequação orçamentária e a prioridade para a montagem do elenco será usar atletas da base. Clara demonstração que um dos maiores e mais ricos times do país, não tem interesse em ter um time feminino competitivo.

Mas, na contramão desses clubes está a Ferroviária, que anunciou um investimento de 34 milhões de reais na construção de um CT exclusivo para o futebol feminino. O projeto conta com seis campos, além de áreas voltadas para preparação física das atletas, departamentos médico e fisioterápico, além de espaços de convivência e formação das atletas. O clube também prevê a construção de um hotel com capacidade para 82 jogadoras, com cozinha industrial, restaurante, lavanderia, rouparia e vestiários, atendendo equipes do Sub-12 ao time principal. Ou seja: quem quer fazer, faz!

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Dibradoras (@dibradoras)

Olhando pro futuro e para as possibilidades esportivas que se aproximam, é de se perguntar: será mesmo que o futebol feminino vai conseguir vencer tantas barreiras e impedimentos para continuar existindo?

Nessas horas é sempre bom lembrar da história: há 84 anos, o decreto-lei de 1941 proibia as mulheres de praticarem futebol no Brasil, mas ainda dá pra dizer que os efeitos dessa parte horrorosa da história seguem em vigor, retardando o desenvolvimento do esporte feminino. A cada término de temporada, o futuro parece sempre incerto para a grande maioria das jogadoras de futebol.

E eu deixo aqui esse incômodo: porque o futebol brasileiro, que é tão vitorioso e idolatrado pela maioria das pessoas neste país, não consegue tratar o futebol feminino com respeito e oferecer à elas oportunidades de ascensão? Até quando as mulheres vão precisar implorar para serem tratadas como profissionais do esporte?

Compartilhe

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também