“Prazer, Ingrid, mas pode me chamar de Jhonson”. O cartão de visitas foi dado. Nada que quem a acompanha desde a base não conhecesse. Mas a frieza da atacante corintiana nas cobranças de pênaltis que decidiram primeiro a vaga na final, depois o título da Libertadores feminina, é um traço marcante da personalidade de quem tem o objetivo de ser a 9 do Corinthians e até da seleção brasileira nos próximos anos.
E o 9 aí não é pelo número, mas pela posição. Farejadora de gols. Jhonson é daquelas atacantes que impressionam quando você vê em campo: tem velocidade, explosão, poder de definição, frieza na frente do gol.
É claro que não é fácil mostrar tudo isso no primeiro ano em que consegue jogar de fato no profissional do time mais vencedor do futebol feminino brasileiro. E para a Libertadores, ela chegou com um jejum incômodo de 4 meses sem marcar. Mas depois de espantar a zica na goleada sobre o Always Ready na primeira fase da Libertadores – Jhonson fez o 11º gol pra fechar o placar em 11 a 0 -, a atacante mostrou que tem personalidade nos momentos decisivos.
Deixou o dela contra o Boca Juniors quando o jogo já tinha sido resolvido, é verdade, por Gabi Zanotti nas quartas-de-final. Mas na semi, depois de uma partida difícil contra a Ferroviária, o Corinthians se viu em mais uma disputa de pênaltis contra as rivais que tinham levado o título do Brasileiro de 2019 (o último que o Corinthians perdeu) exatamente assim). Embaixo das traves, ainda Luciana, heroína daquela conquista de seis anos atrás. Jhonson foi pra sua cobrança sabendo da responsabilidade e, com os olhos fixos na goleira, definiu a cobrança quando ela já havia se deslocado. A bola rasteira foi pra um lado, Luciana para o outro. E na entrevista depois da confirmação da classificação – que aconteceu duas cobranças depois, quando Fátima Dutra errou a sua para a Ferroviária -, Jhonson riu ao comentar se não bateu um medo ao ver Luciana no gol: “Atacante fria, né. Eu brinco que quem tem dom não precisa de treinamento, sou fria pra bater pênalti”.
Personalidade. Foi isso que Jhonson demonstrou também na hora de decidir o hexacampeonato do Corinthians na Libertadores feminina. Mais um jogo difícil, agora contra o Deportivo Cali na final, um 0 a 0 duro no tempo normal e de novo as cobranças de pênalti para definir o vencedor. Na decisiva, lá estava ela, Jhonson, partindo do mesmo jeito “gelado” pra bola, com a certeza de que ela terminaria no fundo das redes. E assim foi: Corinthians conquistando mais um título continental e a vaga no Mundial de Clubes (o primeiro que a Fifa vai organizar para as mulheres), contando com a ajuda de uma nova aspirante a protagonista: a jovem Jhonson, de apenas 20 anos, gelaaaada.
Lesões atrasaram sua chegada ao profissional
Jhonson já chama a atenção no futebol brasileiro desde os 16 anos, quando disputou o Sul-Americano sub-17 pela seleção brasileira em 2022 e impressionou pela sua habilidade e poder de definição como centroavante. Na época, ela não tinha a melhor das estruturas para treinar na base – era atleta do Toledo, pequeno clube do interior do Paraná.
Em 2023, chegou à base do Corinthians sob muitas expectativas, já que ali teria a chance de disputar as principais competições da categoria e terminar sua formação no principal clube de futebol feminino do país.
No entanto, uma sequência de lesões nos dois joelhos atrasaram a chegada de Jhonson ao profissional. Em 2024, ela chegou a fazer apenas três jogos com o Corinthians no Paulistão feminino, mas foi em 2025 que a atacante finalmente conseguiu ter sequência para se firmar como uma peça importante na engrenagem das Brabas.
As boas atuações e os gols renderam convocação para a seleção principal, onde Jhonson já chegou fazendo gol decisivo – contra o Japão, em junho, garantindo a vitória por 2 a 1. Depois, foi para a Copa América, fazendo parte da campanha do título (e, claro, convertendo sua cobrança de pênalti na disputa pelo troféu), e voltou para ser campeã brasileira pelo Corinthians, seu primeiro título nacional jogando pela equipe profissional.
Na conquista da Libertadores, ainda teve seu gol comemorado por milhares de torcedores na Neo Química Arena que transmitiu a disputa de pênaltis enquanto o time masculino jogava uma partida pelo Brasileirão.
Não há dúvidas de que Jhonson tem um grande futuro pela frente. E o começo de sua trajetória no Corinthians já é muito promissor.


