Em meio ao clima de Copa do Mundo, pela primeira vez, no Museu do Futebol, irá acontecer a Feira Foot, uma feira colaborativa aberta ao público onde serão expostos e vendidos produtos e objetos raros de colecionismo do futebol. O evento vai acontecer neste sábado, dia 23 de julho, das 10h às 17h, na área externa do Museu do Futebol, com entrada gratuita.
As ofertas são dos mais variados tipos, vão desde o ingresso para a última partida jogada por Pelé no Brasil até camisetas com design exclusivos e autorais que poderão ser conferidos de perto. Serão 10 colecionadores e 18 expositores presentes na feira e entre eles, há mulheres empreendedoras também.
A DeClasse – que faz ilustrações em quadrinhos e camisetas – conta com uma mulher no projeto. A marca de camisetas Quatro Linhas também tem uma representante feminina à frente e começaram recentemente a produzir modelos feitos para as garotas.

Mas quem chama atenção é Bárbara Fonseca, uma das proprietárias da marca de cervejas artesanais Catimba, que homenageia a Sociedade Esportiva Palmeiras. Um bom exemplo de mulher que quebra todos os paradigmas impostos pela sociedade, afinal, ela é torcedora de arquibancada que ama futebol e produz sua própria cerveja.
Bárbara é formada em Ciências Sociais e aprendeu a fazer cervejas no bar da Van Der Ale, na Vila Madalena. Por conta de uma iniciativa da ONG Pink Bootz Society, que promove a igualdade de gênero dentro do mundo cervejeiro, nasceu a Sailor’s Ruin, um coletivo cervejeiro só de mulheres que para além da cerveja, está sempre discutindo as questões do feminismo e levando um pouco de histórias de outras mulheres através das cervejas.

“Sempre achei que a Sailor’s iria se tornar uma cervejaria legal, mas durante o campeonato brasileiro de 2016, vendo a possibilidade do Palmeiras ser campeão, me juntei com mais 4 amigos para fazer uma IPA com farinha de polenta e manjericão (lembrando do país que originou nosso time), para homenagear um grande jogador, nosso time e para comemorarmos o título que estava por vir. Um desses amigos hoje é meu sócio na Catimba”, contou às dibradoras.

Babi é a cervejeira oficial da Catimba. É ela quem elabora as receitas e é responsável pela parte da empresa que envolve a produção da bebida. “Nós começamos brassando na casa de um amigo e ainda fazemos as nossas experiências no quintal de casa, mas os produtos comercializados são feitos em uma fábrica no interior de São Paulo. A nossa produção é pequena e artesanal, mas não podemos produzir aqui por questões legais de comercialização de bebidas alcoólicas. Nós experimentamos por aqui e mandamos a receita pra lá. Somos o que chamam de cervejaria cigana”, contou Babi.

O preconceito que sofre a mulher que gosta de futebol é enorme. Imagine quando você é mulher e ainda por cima ama futebol e cerveja? Ou você é tratada como aberração ou como “a mulher ideal para casar”, duas situações taxativas que estão longe de ser aceitas de maneira comum.
Babi sente isso na pele, mas enxerga que a área cervejeira tem recebido cada vez mais mulheres. “Sinto resistência quando estou à frente das vendas e me apresento como cervejeira da marca, sempre me perguntam ‘quem são os caras da Catimba?’. O mundo cervejeiro é tão ou mais masculino que o do futebol, misturar as duas coisas é um desafio constante. Quando não querem provar se eu sei mesmo de que título estamos falando, querem saber alguma especificidade da receita para que eu mostre conhecimento cervejeiro. É complicado, mas também vejo cada vez mais mulheres nesse mercado e sinto que existe mais respeito do que há três anos atrás, quando comecei por exemplo”, contou.

Outra polêmica que permeia o meio cervejeiro são as criações de rótulos feitos para agradar o paladar feminino, classificado como não compatível com bebidas amargas. A Catimba não tem a intenção de fazer uma específica para algum público, mas enxerga um certo preconceito nessa segmentação. “Dizem que existem pesquisas que comprovam que o paladar das mulheres é mais simpático com bebidas menos amargas. Eu não sei se é uma verdade universal, até porque todas as mulheres que eu conheço e que gostam de cerveja, preferem as mais amargas e fortes. Acho sexista destinar um produto a um público específico por causa do seu gênero”, afirmou.
Memorabília esportiva
O objetivo da feira é promover a memória do futebol, possibilitando o acesso a artigos com design autoral e brasileiro e encurtando o espaço entre a oferta e a procura por itens colecionáveis raros. E durante todo o dia vai ser possível conferir exposições, vendas e trocas de camisetas, fotografias, pôsteres, botões, canecas, publicações, latas, tabelas, bolas, entre outros produtos.

Segundo reportagem feita pela revista “Forbes”, mais de 67 milhões de pessoas são impactadas mundialmente pelo mercado de memorabília esportiva. Além disso, a CNC (Câmara Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) estima que o varejo brasileiro tenha faturado cerca de R$ 1,51 bilhão neste ano apenas com itens relacionados à Copa da Rússia.
“Nos últimos anos, vimos o surgimento de marcas de produtos ligados à memória do futebol e, paralelamente, cresceu exponencialmente o número de colecionadores de diversos artigos do esporte. Mas esses grupos ainda não estão completamente integrados. A Foot surge, portanto, com o papel de fortalecer e articular esse mercado de memorabília brasileira do futebol”, explica Antoine Morel, curador da feira.
Debates sobre futebol
Mais do que a feira em si, o evento contará com atividades paralelas que abordará tanto as questões lúdicas – com mesas de futebol de botão para o público visitante – quanto a memória do esporte. E nós estaremos lá!
Veja quais serão as atrações:
– 10h: Memória do futebol é coisa de mulher!
Papo com Roberta Nina Cardoso, do Dibradoras e Analu Tomé, integrante do Movimento Toda Poderosa Corinthiana. As mulheres são desafiadas o tempo todo a demonstrar seus conhecimentos sobre futebol por meio da memória. Ao mesmo tempo, quando crianças, não são incentivadas a ir ao estádio, a torcer por um time, e, principalmente, a jogar bola. O papo vai girar em torno dessa e de outras questões sobre a presença feminina no esporte, no campo, na arquibancada, na frente da TV, onde ela quiser.

– 12h: Bate-papo sobre racismo na Copa, com o jornalista Fabio Mendes, autor do livro recém-lançado Campeões da Raça – Os Heróis Negros da Copa de 1958, com prefácio de Mauro Beting. O livro conta como os atletas negros e mestiços da seleção brasileira de 1958 driblaram o racismo para ajudar o Brasil a conquistar, pela primeira vez, o título mundial de futebol.
– 14h: Publicações sobre futebol: como será o futuro delas?
Bate-papo coordenado por Fernando Martinho, editor da Corner, revista brasileira que aborda os aspectos culturais do futebol.
– Exposição “A Primeira Estrela: o Brasil na Copa de 1958”
A mostra temporária do Museu do Futebol usa o primeiro título mundial conquistado pela seleção brasileira para falar sobre o contexto econômico, social e cultural do planeta e tenta mapear, 60 anos depois, os principais efeitos da seleção que apresentou ao mundo a dupla Pelé e Garrincha.

A Feira Foot vai acontecer neste sábado (23/06), das 10h às 17h, no área externa do Museu do Futebol (Praça Charles Miller, s/nº). A entrada é gratuita. Saiba mais: https://www.facebook.com/feirafoot/ e https://www.instagram.com/feirafoot/