Futebol Feminino

Tricampeãs mundiais, tetracampeãs olímpicas e…salários 4 vezes menor do que o dos homens

É comum no mundo dos esportes as mulheres terem menores salários, menores premiações e menos prestígio do que os homens. E quando elas reclamam, em geral, eles respondem que “geram mais lucro, atraem mais patrocínios, mais público e, enfim, merecem ganhar mais”. Tem gente que acha isso justo – e claro, tem quem não ache.

Mas e quando as mulheres são as que geram mais lucro, atraem mais patrocínios, mais público e…ganham mais títulos? Será que a história é diferente?

A seleção de futebol feminino dos Estados Unidos comprova que não.

Por lá, está mais do que comprovado que futebol é coisa de mulher. Foram elas que conquistaram TRÊS títulos mundiais, mais do que qualquer outra seleção do mundo. Elas têm QUATRO ouros olímpicos e lideram o ranking da Fifa, enquanto a seleção masculina sequer chegou perto de conquistar qualquer um desses títulos e figura na 30ª posição entre seleções na Fifa. São elas que lotam os estádios e vendem camisas.

Mais do que tudo isso, vamos às cifras: a seleção feminina americana gera US$20 MILHÕES a mais do que a seleção masculina. E ainda assim, as jogadorAS ganham QUATRO VEZES MENOS do que os jogadorES.

Por quê? Boa pergunta, não é mesmo?!

E justamente para tentar acabar com esse absurdo, as melhores jogadoras da seleção americana – e do mundo – se uniram para processar a Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer) exigindo o que é seu de direito – DIREITOS IGUAIS.

Hope Solo, Carli Lloyd (eleita melhor do mundo no início do ano) e Alex Morgan assinaram uma ação em nome do time todo contra a Federação pedindo o fim da discriminação de salários.

“Recentemente, ficou claro que a Federação não tem nenhuma intenção de nos dar pagamentos iguais por um trabalho igual”, disse a lendária Megan Rapinoe em nota, apoiando o movimento.

“No início de janeiro, a Associação de Jogadoras Americanas fez uma proposta razoável com pagamento igual por um trabalho igual como princípio básico. A Federação respondeu processando as jogadoras em uma atitude para manter intacta a discriminação e o tratamento injusto que eles têm dado às jogadoras por anos”, afirma o advogado das jogadoras, Jeffrey Kessler.

“Eu estou nesse time há uma década e meia e eu estive em diversas negociações sobre salários e, sinceramente, quase nada mudou desde então”, afirmou Hope Solo. “Nós continuamos ouvindo que deveríamos ser gratas só por ter a oportunidade de jogar futebol profissional e sermos pagas por isso.”

“Hoje é sobre igualdade. É sobre direitos iguais. É sobre pagamentos iguais. Nós estamos pressionando para isso. Nós acreditamos que a hora é agora, porque acreditamos que é nossa responsabilidade fazer isso pelos esportes femininos e especialmente pelo futebol feminino. É nosso dever exigir direitos iguais. E é nosso direito ser tratada com respeito.”

lloyd

Valores

Para se ter uma ideia da diferença de pagamentos para homens e mulheres no futebol dos Estados Unidos:

Cada JogadorA da seleção recebe US$ 99 mil no ano se vencerem os 20 amistosos – número mínimo que elas são obrigadas a jogar anualmente.

Cada jogadOR recebe US$ 263.320 no ano pela mesma coisa. E, ainda que percam os jogos, eles recebem US$ 100 mil “de consolo”.

Cada jogadorA ganha US$1.350 por vitória em amistoso contra seleções do top 10 da Fifa. Cada jogadOR recebe US$ 17.625.

Cada jogadorA não recebe nada se perder ou empatar com um adversário abaixo do top 25 da Fifa. Cada JogadOR recebe US$ 6.250 por um empate e US$ 5 mil pela derrota.

Cada jogadorA recebeu US$ 75 mil por ter sido campeã do mundo em 2015. Cada jogadOR recebeu US$ 407 mil por chegar às oitavas de final da Copa de 2014 – a Federação destinou US$ 9,3 milhões para serem divididos entre eles.

Ganhadora do prêmio de melhor jogadora do mundo pela Fifa, Lloyd é uma das líderes do movimento por igualdade.

“Acho que temos provado nosso valor por anos. Acabamos de ganhar uma Copa do Mundo, e a disparidade no pagamento entre homens e mulheres segue sendo enorme. Nós vamos continuar a lutar. A geração que nos antecedou lutou. E agora é nossa função manter a luta.”

Temendo que a seleção feminina entrasse em greve às vésperas da Olimpíada do Rio, a Federação americana chegou a entrar com uma ação em um tribunal federal de Chicago para confirmar a existência de um acordo com o sindicato que representa a equipe feminina dos EUA. Mas o acordo com as jogadoras nunca existiu.

Em meio a todo o imbróglio, Hope Solo resumiu tudo em uma frase:

“Nós somos as melhores do mundo, temos 3 Copas do Mundo, 4 ouros olímpicos, e os homens ganham mais do que nós só por comparecerem nos campeonatos, enquanto nós estamos ganhando todos eles.”

Até quando?

*Com informações do espnW dos Estados Unidos

One Comment

  1. Engraçado, nenhum homem apareceu aqui nesta matéria para explicar que não é machismo, mas apenas a economia de quem produz ganha mais, nesse caso não há como vir com essa tapeação. Ganhos bem menores para atletas do sexo feminino é machismo, não tem desculpa. É vergonhoso, escandaloso.

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