Futebol Feminino

Toda mulher que ama esporte já ouviu

mayra

Pode ser futebol – brasileiro ou americano -, basquete, handebol, tênis, ou o que for. Qualquer mulher que gosta de qualquer esporte já ouviu o desdém masculino ao demonstrar seu conhecimento.

Ah vá! VOCÊ entende de futebol?
Você não sabe nada de tênis.
Quando que mulher entende alguma coisa de basquete?
Fala então o que é impedimento?
Dupla falta?
Sabe nem o que é andar com a bola.
Escalação do seu time?
Do meu time?
De 1995?
Da seleção de 1970?
Da União Soviética na Olimpíada de Seul?
Não sabe?
Tá vendo como não entende?
Discorda?
Você é LOUCA! Não entende nada.

Sem falar quando o nível baixa ainda mais:

Vai lavar louça
Limpar fogão
Esfregar roupa no tanque
Resumindo: saia daqui, não é o SEU lugar.

O único pecado que cometemos foi o de ser mulher e “querer entender” de esporte. No fundo, o pecado é o mesmo de sempre: ser mulher.

Amante de basquete desde pequenininha, Mayra Sartorato escreveu esse relato baseado no que ouviu ao fazer um comentário em uma página da NBA no Facebook. Mas o depoimento dela é o meu, o seu, o de qualquer menina que já “ousou” gostar de esporte. Veja:

“Chegou o dia que toda mulher que ama esporte vive: eu fui chamada de louca na página da NBA.

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Basquete é a minha paixão desde que eu tinha nove anos, quando comecei a jogar. NBA, acompanho desde os 12. Assisto aos jogos TODOS OS DIAS. Religiosamente. Meu jogo favorito quando era criança? Super Trunfo da NBA, rs. Minha mesada? Ia pros tênis e pras camisas. Presentes de aniversário? Ingressos pras partidas do AND1, temporada regular, Global Games.

Mas, perto dos outros fãs de NBA, eu tenho um “problema”: eu sou menina. Lembrem-se do meu pecado conforme vou contando o que rolou nesta fatídica quinta-feira.

Marquei uma amiga – que também joga – num post de resultados na página da NBA Brasil. Fazemos isso quase todos os dias, assim como vamos debatendo os jogos pelo WhatsApp à noite, conforme a rodada se desenrola. “O que acontece com o Pelicans? Não entendo! O time é (na minha opinião) melhor que o Jazz e toma um sacode de 33 pontos, hahahaha.”

Bastou isso e “tens a certeza que os Pelicans são melhores que os jazz? Kkkkkkkk”. Argumentei, numericamente, enquanto minha cabeça fervia – era pra ser uma conversa entre amigas. Recebi um “Como é? (…) C tá de brincadeira, né? (…) querida”.

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Respirei fundo antes de responder, dando médias dos dois jogadores aos quais eu me referia. “Foi desnecessário, apaga que dá tempo”. CARALHO. Perdi a cabeça. “Apaga por quê? Só porque discordo de você? Não, essa é a minha opinião e cá está ela. Se você estiver querendo debater, tô aí. Mas se quiser só mostrar o quanto você está certo e eu errada, me desculpe, eu não tenho este perfil. Até porque não é assim que funciona basquete: não tem certo e errado em muitas questões, tem opinião”, respondi. O que voltou foi um “pare e assista mais nba”.

Nenhum argumento, nenhum número. Antes que eu pudesse sequer ler este comentário, mais um: “Desisto! Quem é apaixonado por basquete sabe”, me excluindo totalmente deste hall.

É, ser mina é foda. O “louca”, primeiro comentário em resposta à minha opinião, logo apagaram. O restante, este machismo velado, repleto de achismos dos homens que, ainda assim, valem mais do que meus argumentos, continua lá. Assim como a raiva por aqui. Mas é ainda mais foda ter 8 caras rebaixando você e suas opiniões (baseadas em argumentos e números) e só dois te tratarem como igual, debaterem com você. E isso porque você é mina.”

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