Futebol Feminino

Seleção feminina vence a Copa CFA na China contra adversários fracos e sem transmissão nenhuma

Após retorno de Oswaldo Alvarez, o Vadão, como treinador da seleção feminina, a equipe brasileira sagrou-se campeã da Copa CFA realizada na China. O torneio amistoso foi marcado pela antiga comissão e logo que chegou, Vadão precisou selecionar as jogadoras para disputá-lo.

Sem contar com a participação das jogadoras Rosana, Fran, Maurine e, principalmente a atacante Cristiane, que estavam atuando pelo Brasil mas decidiram se desligar da seleção após a demissão de Emily Lima, o Brasil enfrentou as seguintes equipes: Coréia do Norte (10º colocada no ranking da FIFA), México (26ª colocada no ranking da FIFA) e a China (13ª colocada no ranking da FIFA).

As brasileiras levantaram o troféu de maneira invicta após duas vitórias nas rodadas iniciais – 3 a 0 sobre o México e 2 a 0 sobre a Coreia do Norte – e empate contra a China, as donas da casa, por 2×2. Pelos relatos e atualizações de placares (bem) depois dos términos das partidas, sabemos que Marta foi a artilheira do torneio com 4 gols em três jogos e nada mais.

Ninguém sabe, ninguém viu

Como o Brasil jogou, como foi o desempenho da zaga, do ataque, da nossa goleira, se havia jogadas ensaiadas, qual o esquema tático adotado, como foram os lances de perigo, como aconteceram as substituições e os gols levados não é possível contar.

Isso porque o torneio não teve transmissão para emissoras e nem para a internet – como aconteceu com os amistosos anteriores contra Estados Unidos, Japão e Austrália (no Torneio das Nações) e também contra Alemanha, Espanha e Islândia – quando a CBFTV fez a transmissão pela internet. Talvez, por questões contratuais, o torneio amistoso não pode ser exibido, e isso acaba dificultando as análises de desempenho do time diante de adversários bem mais fracos.

Nos amistosos passados, realizados contra seleções mais fortes que o Brasil – que é 9º colocado no ranking da FIFA – pudemos observar muito bem a proposta de jogo da treinadora Emily Lima e como a equipe se portou diante de cada adversário.

Contra a Alemanha (2ª colocada no ranking da FIFA), o Brasil perdeu por 3×1, mas a postura da equipe foi bem combativa e após sair perdendo por 1×0 no primeiro tempo, chegou a empatar o jogo e botar pressão. Foram superadas, mas foi nítido o espírito de luta do time.

Contra o Japão, a seleção empatou por 1×1 em um jogo muito rápido e equilibrado. Na ocasião, em entrevista ao site da CBF, a treinadora Emily achou que o resultado foi ruim e destacou que o gol levado pelo time foi causado por um erro de linha.

Contra os Estados Unidos, em um jogo praticamente ganho, o Brasil abriu 3×1 em cima das americanas, mas foram superadas nos últimos dez minutos de jogo e perderam a partida por 4×3. As norte-americanas são as líderes do ranking da FIFA e, diante uma torcida intensa, as brasileiras sentiram a pressão das favoritas e levaram a virada de maneira surreal. A zagueira Bruna Benites citou sentimento de frustração após a derrota, em entrevista ao portal da CBF.

 

Na ocasião, Emily afirmou que a derrota serviu de aprendizado e destacou o jogo de igual para igual entre os dois times. “A avaliação do jogo, que para nós da comissão técnica importa muito, é que elas conseguiram jogar, colocar a bola no chão e jogar de igual para igual com os Estados Unidos. É complicado você dizer que uma derrota foi boa, mas esta é a hora de errarmos e aprendermos para que em uma competição oficial isso não aconteça – analisou a treinadora.

Na sequência veio o baque, a derrota por 6×1 para as australianas (6ª colocada no ranking da FIFA) deixou muitos torcedores de queixo caído. Pouca gente deve se lembrar, mas a Austrália derrotou os Estados Unidos nesse mesmo torneio por 1×0 e as jogadoras brasileiras entraram em campo muito abaladas com a virada sofrida contra os EUA. Emily chegou a dizer para as ~dibradoras que o clima no vestiário antes da partida contra as australianos era muito pesado. As atletas estavam realmente bastante cabisbaixas e a treinadora comentou com sua comissão que seria um jogo difícil, passível de goleada, se as jogadoras não reagissem. E foi o que aconteceu.

Australia’s Caitlin Foord, left, and Brazil’s Leticia battle for the ball during the second half of a Tournament of Nations soccer match, Thursday, Aug. 3, 2017, in Carson, Calif. Australia won 6-1. (AP Photo/Mark J. Terrill)

Diante da Espanha e Islândia (17ª e 21ª colocadas respectivamente do ranking da FIFA), as vitórias aconteceram e também foram transmitidas via CBFTV. 2×1 de virada contra as espanholas (equipe que vem se fortalecido bastante) e 1×0 contra a Islândia jogando em casa puderam nos dar uma noção de como a seleção ainda precisava evoluir em muitos aspectos e como as mudanças e rodízios entre as atletas eram feitos pela treinadora.

Torneio da China

Nesta Copa CFA da China ficamos apenas com a informação dos placares feita pelo Twitter da CBF, quase uma hora após o término das partidas ou com as informações dos sites e blogs independentes que se atualizam com informantes, outras mídias e até mesmo com as próprias atletas.

Fica bem difícil enxergar a proposta de jogo da “nova comissão” e saber como a equipe tem se preparado para os próximos desafios sem relatos dos jogos e sem as transmissões (mesmo que via web). Esse é um dos principais motivos que gera desconhecimento nos torcedores e desinteresse pela modalidade. Não há como cobrar melhor desempenho ou opinar sobre escalação, preparo físico ou tático se a partida não é mostrada. Sem se expor por completo, não é possível avaliar o trabalho do Vadão, não conseguimos cobrar mudanças e enxergar evolução, como acontece com qualquer seleção do mundo.

Os desafios (e bota desafios nisso!) que a comissão técnica anterior enfrentou foram todos divulgados e passíveis de acessos. Eu sofri como nunca vendo o Brasil perder para as americanas e australianas, assim como festejei muito o empate contra o Japão e a virada contra a Espanha.

Depois de todo o turbilhão que devastou a seleção brasileira feminina como nunca antes visto (fazendo com que jogadoras e ex-jogadoras se posicionassem contra o comando da CBF e exigissem melhorias na gestão), tudo que os torcedores e a imprensa especializada queriam era acompanhar o primeiro desafio da “nova” (e já conhecida) comissão técnica, mesmo que diante de adversários bem mais fracos. Ganhar deles era nossa obrigação (assim como foi obrigação de Emily Lima vencer o Torneio de Manaus). Infelizmente não foi possível acompanhar esses jogos, vai ficar pra uma outra vez – assim esperamos.

One Comment

  1. Olá Nina, pode até não ser certo no momento de minha parte, mas eu (e imagino, que outros mais) perdi totalmente a vontade de acompanhar a Seleção. Acho que a demissão da Emily e a volta do ex-treinador foram agressões morais feitas por quem manda em nosso futebol. Mesmo com inúmeros protestos e posicionamentos de pessoas do meio e torcida, não vimos realmente mudanças de fato após o ocorrido. Fomos ignorados. Tivemos apenas frágeis promessas. E não vejo muitas coisas boas no futuro próximo. Vínhamos num momento do fut feminino muito importante no Brasil: finalmente com uma técnica, e com uma filosofia de jogo definida; um brasileirão com primeira e segunda divisões; Iranduba, Santos e outros clubes levando muitos torcedores aos estádios; transmissão de todos jogos da Seleção (mesmo que pela web); novas carteiras de trabalho assinadas em clubes, enfim…E essa atitude de troca de comando técnico da Seleção abalou muito os acompanhantes da modalidade. Um balde de água fria. Como conseguir atrair mais gente interessada no fut feminino, se o golpe foi duríssimo até para os que já acompanham há anos? Não sei verdadeiramente. Antes tivemos o descaso com o trabalho do René. Tivemos também o esquecimento das ex-atletas, que poderiam contribuir com seus trabalhos e compromissos para o desenvolvimento do cenário no país (como o desperdício do talento de Sissi, entre outras). Agora Emily é demitida. Voltamos umas 30 casas para atrás.

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