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‘Se não houver movimento das jogadoras, nada vai mudar’, diz Magic Paula

Às vésperas da Olimpíada do Rio de Janeiro, o basquete feminino brasileiro vive a pior crise de sua história. O evento-teste do fim de semana passado na recém-inaugurada Arena Carioca contou com um boicote dos clubes, que não liberaram suas jogadoras para a seleção, na tentativa de pressionar a Confederação Brasileira de Basketball (CBB – que, além de tudo, tem essa grafia do esporte em inglês….) por mudanças.

Pois bem, o boicote foi boicotado por algumas jogadoras – Clarissa, Erika e Iziane, algumas das principais jogadoras da seleção atual -, e o evento-teste aconteceu sem maiores problemas. As atletas que foram fiéis aos clubes agora terão de enfrentar uma ação no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e, enquanto isso, o basquete feminino, que já teve o trio brilhante formado por Magic Paula, Hortencia e Janeth, segue definhando rumo a mais um vexame olímpico – sendo esse dentro de casa.

Para falar sobre o descaso com que a modalidade é tratada, tivemos a convidada mais do que especial no último podcast das ~dibradoras: Magic Paula. Com toda a sua experiência como atleta e ex-atleta, ela contou que os problemas vividos hoje são praticamente os mesmos que já existiam no passado. E avisou: “Se o movimento não vier das próprias jogadoras, as coisas não mudam. Vão passar gerações e gerações e a coisa não vai sair.”

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Paula mencionou um boicote que ela e suas companheiras de seleção na época organizaram em 1985 por melhorias na modalidade e pediu mais atitude das jogadoras.  “Algumas vêm com um discurso de patriotismo agora. Mas não tem patriotismo na hora de cobrar qual é o nosso planejamento, quem vai ser o treinador, o que nós vamos fazer..porque quem vai passar vergonha não é o treinador, não é o dirigente. São elas (jogadoras). Falta um pouco desse posicionamento.

A gente sabe que a confederação tem uma gestão duvidosa, tem uma dívida de 14 ou 15 milhões, CGU tá atrás de várias irregularidades. Então pra mim, quando uma pessoa toma uma decisão de estar ao lado dessas pessoas, elas estão avalizando, estão assinando embaixo que estão de acordo com tudo o que estão fazendo…tá ali dando um carimbo.”

As principais reivindicações dos clubes são por um melhor planejamento e para que haja mais diálogo entre eles e a Confederação. O jornalista Fabio Balassiano, do excelente blog Bala na Cesta, esteve conosco no podcast e definiu muito bem a situação atual do basquete feminino:

“O que acontece é que o basquete feminino chegou agora no fundo do poço. A gente tem uma liga com 6 clubes, ou seja, sao apenas 72 posições de trabalho no basquete profissional brasileiro, o que é ridículo para o tamanho desse país e para um país olímpico. E os clubes estão devendo o almoço para comprar o jantar, e tentaram pressionar a Confederação Brasileira por melhores condições e por aí vai. Eu acho que os clubes até exageraram um pouco nos pedidos, coisas que não é da alçada deles. Mas eu entendo também que o que eles estão fazendo em última instância é um famoso SOS, estão pedindo socorro.”

Sem concordar com a forma que as coisas têm sido feitas, Magic Paula não foi convidada para estar no evento-teste ou na inauguração da Arena Carioca, aquela que irá abrigar o basquete olímpico em 2016. Mas caso tivesse sido, ela garante: não iria.

“Acho que tem um monte de gente que se incomoda comigo porque nao me vê na quadra, tirando foto com as pessoas…e se incomoda ‘ai, a Paula não dá força, não apoia’. Nao dou nem vou dar. Se me chamarem pra uma coisa que eu acredito, eu vou. Agora nao me venha com marketing. Não vou deixar de ter minha opinião, isso ninguém vai tirar de mim, porque não tenho rabo preso com ninguém. Não fui convidada pra nada disso (evento-teste), mas também não iria. Mas acho que eu tenho o direito de falar, tenho o direito de opinar. Porque fica todo mundo babando ovo, parece que nada ta acontecendo, fica todo mundo com cara de paisagem e ninguém faz nada. Eu sozinha também não posso fazer.”

Triste ver o basquete feminino, que tem tanta história, definhando dessa maneira. O basquete que emocionou o mundo no Campeonato Mundial de 1994, quando Hortencia, Magic Paula, Janeth e cia derrubaram o invencível time dos EUA na semifinal e foram campeãs depois. Que fez tantos brasileiros chorarem quando aquela tão sonhada medalha olímpica veio com a prata de 1996. Triste ver uma modalidade morrendo por causa do descaso de dirigentes que parecem estar ali mantendo o time apenas para “cumprir tabela”. Infelizmente, os esportes femininos no Brasil – com exceção do vôlei – são frequentemente tratados com o mesmo desprezo.

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Podcast #28 com Magic Paula

Ela estava on fire na segunda-feira! Uma entrevista para falar sobre o início da carreira na pequena e pacata Osvaldo Cruz, sobre o apelido de Magic e sobre como conheceu Magic Johnson, sobre as histórias inesquecíveis de Atlanta e, claro, sobre sua relação com Hortencia. Ouve aí porque ficou imperdível!

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