Futebol Feminino

Prévia tática: o que esperar do confronto entre Corinthians e Rio Preto?

Por Camila Lima

O domingo será marcado pela segunda partida da semifinal entre Corinthians e Rio Preto. O jogo acontecerá às 18h (horário de Brasília), na Arena Barueri, com transmissão do SPORTV. O Rio Preto venceu em casa o jogo de ida pelo placar de 2×1 e o Corinthians buscará a redenção diante de sua torcida. O gol fora de casa pode ser um aspecto decisivo nesta partida. Mas o que esperar das duas equipes taticamente falando? Preparamos uma prévia tática pra vocês entenderem os comportamentos/padrões táticos de cada equipe.

Rio Preto

Na primeira fase, classificou-se em segundo lugar no seu grupo, encarando nas quartas a forte equipe do Kindermann, que lutou bravamente, mas não conseguiu a sonhada vaga na semifinal do campeonato. No primeiro jogo contra o Corinthians, impôs muita intensidade. Pode ser considerada uma equipe que tira suas adversárias da zona de conforto, marcando-as desde sua saída de bola.

Quando tem a posse da bola, sabe bem o que fazer e utiliza de ataques mais diretos (sem muita circulação de bola, procurando mais o jogo vertical). A exploração dos flancos (corredores laterais) também é uma grande característica da equipe, com triangulações, tabelas e velocidades de suas extremas (pontas). Vale salientar a capacidade de infiltração, que ocorrem tanto em diagonais quanto em verticais, nas costas da defesa adversária. Considerado um time com características bem ofensivas, a equipe quase não recua a bola para começar o jogo com suas defensoras, porém encontra determinadas dificuldades em sua recomposição defensiva ao perder a posse da bola.

Rio de Janeiro – RJ – 26/04/2017 – BRASILEIRÃO CAIXA 2017 – ESPORTES – Jogo 69, Grupo 02 da Série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino “Brasileirão Caixa 2017” entre, C.R. Flamengo/Marinha X Rio Preto E.C. , realizado no estádio da Gávea no Rio de Janeiro, RJ; válido pelo grupo 02 do Brasileirão Feminino 2017 A1. Foto: MARCOS DE PAULA/ALLSPORTS
Foto: MARCOS DE PAULA/ALLSPORTS

Darlene costuma ser o grande destaque das meninas do Rio Preto. Jogadora que já foi convocada pela Seleção Brasileira é a responsável por ditar o ritmo de jogo da equipe. Muito em função de sua boa distribuição de bola e organização das ações ofensivas, além da velocidade e individualidade predominante nos confrontos de 1×1. Com certeza é alguém que o Corinthians precisará ficar de olho.

O momento de transição defensiva (os segundos após a perda da bola) é uma fase do jogo que pode ser explorada por seus adversários. O gol do Kindermann no segundo jogo das quartas, por exemplo, saiu em uma ação de contra-ataque, aproveitando a desorganização defensiva das meninas do Rio Preto. Quando conseguem se organizar, costuma exercer forte marcação a portadora da bola, com dobras na marcação quando necessário.

Ao recuperar a posse, verticaliza o jogo e busca infiltrações em profundidade para aproveitar o desequilíbrio adversário. Foi assim que criou boas chances de ampliar o placar, na primeira partida, diante de um sistema defensivo, que mesmo bem postado, falhava em alguns setores e aspectos.

Corinthians

Dono da melhor campanha da fase de grupos, o Corinthians não teve grande dificuldade diante da Ferroviária, mas a derrota no primeiro jogo contra o Rio Preto exige um elevado nível de concentração das alvinegras. Diferente da proposta da equipe adversária, o Corinthians gosta de ter a posse da bola.

Treinadas por Arthur Elias, o time demonstra como características de organização ofensiva muita circulação de bola, com o jogo iniciando desde suas defensoras. A qualidade técnica também se sobressai, muito devido a aproximações e apoios que as jogadoras geram dentro de suas ações (triangulações, tabelas, pivôs).

É de maneira construída que o ataque do Corinthians se torna tão efetivo no seu modelo de jogo. A movimentação exercida por Gabi Nunes pode ser uma arma para a equipe mandante (saindo do meio para os flancos), pois além de gerar amplitude as alvinegras também causam maiores dificuldades para suas adversárias.

Byanca Brasil e Nenê também precisam entrar no jogo. A primeira é artilheira da competição e peça fundamental no ataque do Corinthians. Nenê, por sua vez, quando realiza pivôs, buscando triangulações pelas laterais do campo, mostra que o Rio Preto precisará estar atento a esses padrões durante toda partida.

Fotos MAURO HORITA ALLSPORTS

 

A solidez defensiva observada no jogo contra a Ferroviária sofreu nos primeiros 90 minutos dessa semifinal. É preciso diminuir o espaço e tempo das ações ofensivas adversárias e voltar a ter a boa recomposição defensiva que apresentou nos confrontos anteriores. As duas linhas de quatro da equipe alvinegra precisam estar em sintonia nos balanços defensivos (movimentos para o lado da bola) e nas coberturas, devido às rápidas chegadas do Rio Preto.

Em transição defensiva (sair da condição de ataque para a de defesa) pressionar o portador da bola em zonas pré-estabelecidas pode ser uma boa estratégia, que já funcionou diante da Ferroviária, por exemplo. A busca por recompor suas linhas o mais rápido também se faz necessária contra um ataque mais direto do Rio Preto. Na transição ofensiva (momento que se recupera a posse de bola), cabe ao Corinthians aproveitar a desorganização da defesa para tentar chegar ao seu gol. Usar das bolas mais longas e verticais, explorando a velocidade e qualidade de suas jogadoras também pode ser uma saída para que as alvinegras carimbem sua passagem para a grande final.

Com certeza, será um grande jogo. As duas equipes têm chances reais de conseguir chegar à final. Além dos aspectos táticos, as estratégias dos treinadores são de suma importância para o sucesso de suas equipes. Alto nível de concentração e efetividade nas ações poderá decidir quem fica com a vaga.

E você, pra quem vai a sua torcida?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>