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Por que NUNCA uma equipe feminina ganhou o ‘Oscar do Esporte’?

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O prêmio Laureus do Esporte surgiu em 1999 e, desde então, premia os maiores destaques esportivos do ano nas categorias: melhor equipe, melhor atleta homem, melhor atleta mulher, melhor atleta com deficiência, melhor “retorno” e melhor revelação.

Mas quando olhamos as indicações – e até os vencedores – do prêmio de melhor equipe, poderíamos pensar que, na verdade, ele deveria ter outro nome. “Prêmio Laureaus de melhor equipe MASCULINA”. Vejamos os indicados ao prêmio de 2016, divulgados hoje:

Seleção brasileira de futebol (masculino), Cleveland Cavaliers (campeão da NBA – masculino), Chicago Cubs (campeão da Major League Baseball após 108 anos – masculino), Mercedes (tricampeã da Fórmula 1 – masculino), seleção portuguesa de futebol (campeã da Eurocopa – masculino) e Real Madrid (campeão da Champions League – masculino).

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Nenhuma equipe feminina foi citada entre os indicados ao prêmio. Será que isso aconteceu porque não havia nenhuma equipe feminina digna de figurar nesta lista? Vejamos:

Em 2016, tivemos a China campeã olímpica de vôlei. Ela, que perdia por 2 sets a 0 para a seleção brasileira bicampeã olímpica – e virou. Que perdeu o primeiro set da final olímpica contra a Sérvia, e virou. Que tinha uma MULHER no comando – a única equipe do vôlei a ter uma técnicA nos Jogos.

Tivemos também a Rússia, que levou o ouro inédito no handebol feminino derrubando a bicampeã olímpica Noruega na prorrogação na semifinal.

Tivemos a Alemanha e a Suécia no futebol feminino. As alemãs, que conquistaram o ouro olímpico inédito, e as suecas que derrubaram as favoritíssimas americanas nas quartas e depois o Brasil nas semis.

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Tivemos a Coreia do Norte, a primeira equipe de futebol feminino a conseguir se sagrar campeã da Copa do Mundo Sub-17 e da Copa do Mundo Sub-20, ambas disputadas no fim do ano passado.

E poderíamos pensar em tantas outras. A única coisa que não dá para pensar é em como, em um ano olímpico, o tal “Oscar do Esporte” não consegue “se lembrar” de nenhuma equipe feminina digna de figurar na lista das melhores do ano.

Nem em como, nos últimos cinco anos, só conseguiu se lembrar de UMA equipe de mulheres digna de estar entre os indicados – foi no ano passado, quando a seleção americana de futebol feminino figurou na lista.

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Ou como, em 16 anos de prêmio, NUNCA se concedeu a honraria a uma equipe FEMININA. O máximo que chegamos perto disso foi em 2009, quando “a delegação da China” levou o troféu por seu desempenho impressionante na Olimpíada de 2008 – e aí estavam envolvidos homens e mulheres.

A reflexão que propomos aqui é que, enquanto não reconhecermos a importância dos esportes femininos, eles ficarão sempre renegados ao “limbo” esportivo, sempre fadados a receber menos investimento, menos atenção da mídia – sempre condenados ao mesmo ciclo vicioso que os atormenta desde que as mulheres decidiram “invadir” esse mundo “masculino” dos esportes.

Sem reconhecimento das próprias entidades que organizam o esporte – ou, nesse caso, as premiações -, as modalidades femininas não conseguirão o apoio que precisam para comprovar sua importância.

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E aí vão dizer que esportes de mulheres não despertam o interesse do público. Mas não despertam porque o público não sabe deles, porque eles não estão na mídia. E porque não estão na mídia, têm menos patrocinadores – já que patrocinadores buscam a visibilidade que a mídia traz.

Enquanto não quebrarmos algum pedaço desse ciclo – para transformá-lo de vicioso a virtuoso -, esporte vai continuar sendo “coisa de homem” – ainda que as mulheres já tenham provado e comprovado a farsa dessa máxima.

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