Futebol Feminino

Pernambuco e Bahia no Top 3 no futebol feminino da CBF: o que isso quer dizer?

Vitória fez campanha discreta no último Brasileiro (Foto: Luciano Abreu)

Todo ano, a CBF divulga o ranking dos times de futebol feminino e os coloca em ordem de pontuação no país. Em 2018, quem largou na frente foi o tradicional São José, seguido pelo Vitória das Tabocas (mais conhecido como Vitória de Santo Antão), de Pernambuco, e o baiano São Francisco.

Por aí se imagina que esses foram os melhores times em 2017 e que o  Nordeste está muito bem na fita, certo? Mas vamos lá que a análise é um pouco mais complicada.

O campeão do Campeonato Brasileiro de 2017, para quem não lembra, foi o Santos. As Sereias da Vila bateram o Corinthians na final e levaram o título da Série A1. Iranduba e Rio Preto ficaram pelas semifinais, e Audax e Kindermann pararam nas quartas de final.

E onde estavam São José, Vitória-PE e o São Francisco? Nenhuma das equipes seguiu para a segunda fase do Brasileirão, sendo que o São Francisco, por muito pouco, não foi rebaixado para a Série A2. Isso no campeonato. Porque no ranking, os três times dominaram, enquanto o Santos ficou na 10ª posição, e o Corinthians, que é o atual campeão da Libertadores, ficou com a 18ª colocação geral.

Esse ranking também não mostra a crise institucional tremenda pela qual passou o São Francisco, que teve a equipe completamente desmantelada ao final do Brasileirão – desde atletas até comissão técnica. Do time que terminou o Brasileiro no ano passado para o que disputou o Baianão meses depois, só mesmo o nome em comum.

Terceiro colocado, São Francisco passou por crises e quase foi rebaixado (Foto: Prefeitura de São Francisco do Conde)

O mais curioso é que a melhor equipe de Pernambuco não figura sequer no Top 10. Ou mesmo Top 20. As leoas do Sport estão na 22ª posição no ranking, mesmo tendo a melhor campanha de clubes nordestinos no Brasileiro e sendo as atuais campeãs estaduais. O mesmo vale para a Bahia: o atual campeão estadual, Lusaca, sequer aparece nesse ranking.

Então por que o ranking da CBF não reflete quem terminou o ano melhor? Porque os critérios levam em consideração a continuidade dos clubes (ou seja, tempo de duração), e resultados em competições disputadas nos últimos cinco anos (veja mais aqui). E nisso a regularidade tem papel fundamental para uma boa pontuação.

Aí vale ressaltar que o próprio Santos teve o time descontinuado entre 2012 e 2015, que o Corinthians sequer existia em 2012 e que a primeira participação do Iranduba no Campeonato Brasileiro foi em 2013.

Enquanto isso, nos últimos cinco anos o São José foi campeão da Copa do Brasil em 2012 e 2013, da Libertadores em 2013 e 2014, e vice-campeão do Brasileirão em 2015. O Vitória-PE foi 3º colocado da Copa do Brasil em 2012 e vice-campeão em 2013. O São Francisco chegou às semifinais em 2012 e 2013 da mesma competição.

Os dois nordestinos são os maiores participantes em competições nacionais dos seus respectivos estados, e maiores campeões estaduais. O melhor ano das duas equipes no Brasileirão foi 2013, quando o Vitória terminou em 5º e o São Francisco em 6º.

Foi por isso que ambos ficaram muito bem no ranking da CBF, que leva em consideração a participação em competições realizadas nas últimas cinco temporadas. Enquanto times como Santos acabaram em um ano e voltaram no outro, e outros como Corinthians surgiram apenas recentemente – ainda que já com bons resultados -, tanto São Francisco, quanto Vitória de Santo Antão permaneceram firmes e fortes jogando ano após ano. A continuidade do projeto deles, então, foi o que os permitiu estar no topo.

Ainda que esse ranking não mostre, de fato, quem está melhor nas competições, mostra que o Nordeste tem tradição na modalidade, com dois clubes na ponta. Tradição que começou bem antes da obrigatoriedade do Profut, que hoje exige que times masculinos tenham equipes de futebol feminino para disputar competições internacionais (e evitar sanções que podem chegar até o rebaixamento no Brasileirão).

Resta agora as equipes nordestinas aproveitarem esse prestígio e se transformarem nas potências que já provaram que podem ser.

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