Futebol Feminino

Os planos de Emily Lima para a seleção feminina em 2017

* Por Juliana Arreguy

O primeiro compromisso das ~dibradoras em 2017 foi com ninguém menos que a técnica da Seleção Feminina, Emily Lima. Se o ano já inicia frenético para nós, que dirá para a treinadora, que nos concedeu quase uma hora de papo em nosso podcast #65 e mostrou que já chegou ~dibrando na CBF.

Fizemos um apanhado das coisas mais legais que Emily compartilhou conosco – e não foram poucas, viu?

emilyAnunciada técnica da Seleção em novembro do ano passado, Emily teve pouco tempo para discutir o futuro da equipe antes do início de 2017. Ainda em dezembro, precisou lidar com uma baixa significativa: a decisão da CBF em não participar da Copa Algarve. “A não ida para a Algarve é uma perda muito grande”, lamenta a treinadora, que já se movimenta para incluir o Brasil novamente na competição em 2018. Para contornar a saída de um torneio tão importante sua ideia foi preencher o calendário do ano com amistosos em datas Fifa. A falta de planejamento, no entanto, já impediu que a equipe aproveitasse a primeira leva do ano (entre 16 e 24/01).

Com mais sete datas pela frente neste 2017, Emily já está em contato com outras seleções para negociar amistosos. Embora ainda não tenha nada confirmado, mencionou tentativas com Holanda ou Dinamarca para abril, Austrália e Inglaterra para o segundo semestre e interesse em participar de um torneio nos Estados Unidos com a seleção norte-americana, Japão e Austrália em junho. A maior dificuldade tem sido lidar com o planejamento das outras equipes, que já iniciaram a temporada com o ano inteiro praticamente definido. O Torneio de Manaus segue firme no calendário e pode sofrer alterações positivas se depender da treinadora: “Seria interessante fazer esse torneio numa data Fifa”.

Além da busca por oponentes do exterior, Emily também estuda uma forma de evitar que partidas de competições nacionais entrem em conflito com as datas Fifa. “Nós mandamos sugestões para a Federação Paulista e falamos diretamente com o Manoel Flores, diretor de competições aqui da CBF, para que analisassem com carinho nossas sugestões de não baterem as datas”, conta.

Outra novidade no planejamento inclui também as seleções sub-17 e sub-20. Embora não tenha nada confirmado, Emily trabalha com a possibilidade de que as equipes mais jovens façam os jogos preliminares da seleção principal nas datas Fifa. “Nós aproveitamos os contatos que temos feito para o adulto e incluímos a base também”.

Sobre parte tática, a torcedora que saiu feliz ao ver as atuações da Seleção no Torneio Internacional de Manaus tem ainda mais motivos para ser otimista em 2017. Toque de bola bem trabalhado, bom uso das laterais, agressividade no ataque e a extinção do chutão: não, não foi um sonho. Na verdade, esse é o novo modelo de jogo da Seleção. A treinadora admite que diante de confrontos “mais estratégicos” uma coisa ou outra pode ser adaptada, mas, de resto, já discute até a implementação do padrão nas equipes de base. Apesar das mudanças, Emily admite que ainda há muito chão pela frente – neste ponto, ela exalta o esforço em equipe realizado pela comissão técnica em “potencializar o trabalho de cada atleta”.

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Um dos recursos pensados com este propósito, e testado durante o Torneio Internacional de Manaus, foi a exibição de vídeos com jogos das seleções rivais e da própria equipe do Brasil. Toda a comissão técnica se envolveu em destacar pontos fortes e fracos de cada time. “Às vezes demorávamos duas horas para ver meio tempo de jogo”, relata a técnica.

Formiga

Após um histórico de mais de 20 anos à serviço da Seleção Brasileira, Formiga se aposentou no ano passado e deixou mais um desafio para Emily Lima: encontrar uma substituta à altura para o meio-campo. “Fisicamente igual à Formiga não vai existir”, já deixa claro. Para a técnica, Andressinha é o nome mais forte para vestir a camisa 8, embora outras possibilidades sejam estudadas. Um levantamento de jogadoras atuando no Brasil chegou a surpreender a comissão técnica, tamanho o número de mulheres no esporte atualmente. “Nessa função de volante temos muitas meninas para observar”.

formiga

Uma despedida digna para nosso ícone do futebol feminino também não foi descartada pela treinadora, que decidiu levar adiante na CBF a sugestão de uma partida entre as seleções de 1996 e 2016.

Se nós já começamos o ano cheios de resoluções, podem saber: Emily Lima está muitos passos à frente. Nem bem passamos a metade de janeiro e nossa treinadora já fala em fechar o calendário do próximo ano ainda em outubro. Planejamento de primeira! Ela tem ou não tem o ~dibre?

Para ouvir o podcast #65 das ~dibradoras com Emily Lima:

One Comment

  1. Apos cinco anos nessa funcao por outros clubes e selecoes de base, a tecnica tem planos bem definidos para iniciar seu trabalho a partir de janeiro e com ambiciosa pretensao de provocar mudancas relevantes na modalidade. Vamos trabalhar para a evolucao do esporte e para que haja mais mercado para o futebol feminino no Brasil”, afirma ela ao EL PAIS.

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