Futebol Feminino

O sk8 me trouxe liberdade: como descobri o esporte da minha vida aos 29 anos

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Foto de: https://www.flickr.com/photos/hafrenz/

É muito comum que mulheres abandonem, na idade adulta, os esportes que praticavam na infância. Na maioria das vezes, isso acontece pelas dificuldades que ela encontra no meio do caminho simplesmente para poder continuar praticando. Ela se cansa de ouvir que aquilo “não é para ela” e até acaba acreditando nessa máxima.

53% das meninas desistem do esporte até os 17 anos. 70% delas fazem isso porque sentem que esporte não é para elas, segundo pesquisa encomendada pela Always para a campanha #TipoMenina.

Acontece também às vezes porque, entre aqueles esportes apresentados a elas como “de meninas”, as mulheres não encontram nenhum que realmente as conquiste. Vôlei, tênis, pilates, ballet, ginástica…todos esses se encaixam no “padrão” de modalidade pensado para uma garota. Mas e quando elas não se identificam com nenhum desses?

Aí será preciso desafiar a lógica e mostrar que, na verdade, o esporte “para elas” é aquele que ELAS acharem melhor. E que nenhuma outra pessoa pode decidir isso por ela.

Foi assim que Daniele Kono acabou descobrindo o skate aos 29 anos. E, desde então, ela ouviu muitas coisas sobre “esse lugar não é para você”. Mas nada que a tenha feito desistir. Pelo contrário, o skate trouxe a ela justamente a sensação de liberdade – de ser livre para fazer o que quiser.

Com a palavra, Dani:

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Imagina você ter 29 anos, ser mulher e decidir do nada que vai andar de sk8 e ter um programa sobre isso no canal Off…essa era eu no final de 2014 e de lá pra cá ouvi os maiores absurdos da minha vida, mas também os maiores incentivos. O programa no Off ainda não existe, mas o sk8 tomou conta da minha vida de um jeito muito louco!

Você, mulher ou menina que decidir fazer um esporte considerado “para homem” vai ouvir coisas do tipo: “sua perna vai ficar toda roxa”, “é muito violento e agressivo”, “essas roupas são muito largas, você é uma lady, nunca imaginaria você fazendo esse tipo de coisa”.

Sim, minha perna vive roxa e machucada…não, não é um esporte de homem (até porque isso não existe), é só um esporte…sim, as roupas são largas, do jeito que eu sempre gostei…não, eu não sou uma lady…e por fim, você não imagina metade das coisas que eu faço na vida!

A Bowlhouse é a pista que eu subi pela primeira vez em um sk8. Lá eu conheci muita gente do bem, várias minas que hoje são grandes amigas e que, como eu, acreditam que sk8 é coisa para mulher, sim!!! Direto lá na pista aparecem umas meninas acompanhando os irmãos…mas elas sempre estão com umas sandálias ou sapatos nada confortáveis e aí fica difícil aproveitarem a pista com a gente…PUTA QUE PARIU pais de meninas, levem as minas pra pista de sk8 com tênis….elas ficam loucas pra andar no bowl, como qualquer criança ficaria!!!

Muito preconceito ainda existe e o machismo está presente em tudo na vida de uma mulher, desde o dia de seu nascimento. Mas, o bom é que hoje existe muita gente em prol da igualdade de gênero, falando sobre isso, brigando por isso.

Andar de sk8 é uma das coisas que eu mais gosto de fazer hoje em dia, a sensação de liberdade é bem grande…faz bem pro corpo e mais do que isso, faz bem pra alma! Meninas, andem de sk8, joguem futebol, joguem vôlei, façam ballet, dança de salão, judô, pratiquem yoga, pilates, usem salto, usem tênis, gostem de rosa, odeiem rosa, pintem as unhas, saiam sem maquiagem. Descubram o que vocês realmente gostam e façam!!! Esqueçam o que a sociedade cobra de vocês. Como diria a mulher mais importante da minha vida, minha mãe: “você pode chegar aonde qualquer homem já chegou – e o contrário também é verdade.”

#playlikeagirl#ridelikeagirl#sk8feminino

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Foto: Rhauan Santana

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