Futebol Feminino

Finalista do Paulistão, técnico do SPFC Feminino aposta em título como cartada final

Com pouco auxílio financeiro e ótimo desempenho, o futebol feminino brasileiro ainda luta contra a invisibilidade.  A campanha de 16 jogos, dez vitórias, cinco empates e apenas uma derrota no Campeonato Paulista de 2015, não foi suficiente para consolidar a equipe feminina do São Paulo, criada ainda no primeiro semestre deste ano. Apesar de chegar até a final da competição, as atividades da modalidade devem ser encerradas no começo de setembro por falta de patrocínio. A esperança de Marcelo Frigério,  treinador da equipe, é de que o título traga visibilidade e a possibilidade de novos parceiros.

“O que a gente pode fazer para salvar é tentar conquistar o título. Assim, vai valorizar o futebol feminino e a marca São Paulo. Se tiver um apoio sério, que o presidente [do clube, Carlos Miguel Aidar] se sinta tranquilo, tenho certeza que o São Paulo não vai se opor [a continuar com o futebol feminino] ”, afirmou Frigério em entrevista por telefone.

Com pouco menos de seis meses de vida, as meninas viviam  a expectativa de disputar também o Campeonato Brasileiro, quando foram pegas de surpresa  pela notícia da descontinuação da modalidade. A questão é que o fato chegou ao conhecimento do treinador através da Sport Promotion, empresa responsável por organizar o Brasileirão. E como era de se esperar, deixou todo mundo bastante chateado.  “Eu marquei um reunião e depois recebi um e-mail cancelando a reunião. Eu liguei pra eles e fui informado que o São Paulo tinha mandando um ofício para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) cancelando a participação no torneio”.

A justificativa do departamento de esportes amadores do Tricolor, por sua vez, é de que a Capes, empresa patrocinadora do futebol feminino, não honrou com os compromissos financeiros acordados e o clube não tem condições de arcar com mais uma despesa. A folha salarial das 22 atletas mais os custos da comissão técnica totalizam 56 mil reais. Pouco se comparado com os valores astronômicos praticados no masculino. O atacante Alexandre Pato, por exemplo, recebe 400 mil reais por mês.

“O [futebol] masculino ainda tem lucro. O feminino realmente é investimento, tem que ter patrocínio. É uma modalidade olímpica. E todas as modalidades olímpicas sofrem com falta de apoio. Não é só no São Paulo”, opinou Frigério.

De modo que nem o 7 a 1 sofrido pela Seleção Masculina diante da Alemanha na Copa do Mundo de 2014, nem a medalha de ouro conquistada pelas meninas brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 conseguiram mudar (ou afrouxar) esse pensamento. Assim, o título do Campeonato Paulista é a cartada final da equipe tricolor em busca do reconhecimento merecido. Os jogos das finais estão previstos para acontecerem nos dias 30 de agosto e 06 de setembro. O adversário é o copeiro São José.

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Ao final da semi contra o Santos, jogadoras agradecem o apoio da torcida

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