Futebol Feminino

Mulher e esporte: o machismo e a homofobia

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O beijo de Wambach na namorada marcou a comemoração do título dos Estados Unidos no Mundial de 2015 <3

O assunto a ser tratado aqui é tão absurdo que poderia acabar em três linhas:

  • Praticar um esporte não define a sua sexualidade
  • Não tem problema nenhum ser homossexual
  • Ninguém deve se importar com o gênero pelo qual você se atrai

Mas, como o tema não parece ser um senso comum intrínseco em nossa sociedade (deveria),  vamos dedicar mais algumas linhas tentando jogar luz a uma besteira que muitas vezes chega a ser um tabu (infelizmente).

O que sabemos é que o papel de protagonista ou até mesmo coadjuvante no esporte, sempre foi do homem, desde a primeira bola que ele ganha aos 2 anos de idade até as peladas com os amigos aos 50 anos. Enquanto, às meninas, cabe brincar de afazeres domésticos, para que, aos 50, assim continuem também. Aquela definição clássica de brinquedos/brincadeiras de menino e menina vai muito além da infância e enraíza preconceitos difíceis de serem mudados. É machismo e ponto.

É importante ressaltar que muitas, milhões de meninas passam a infância e a adolescência SEM QUALQUER CONTATO COM O ESPORTE por causa desse preconceito, dessa ideia de que isso é coisa só para meninos, só para homens.

Mas ao longo dos séculos, como se já não houvesse preconceito o suficiente, criou-se mais uma barreira para afastar as meninas e mulheres do esporte: a de que ele determinaria sua orientação sexual.

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O pedido de casamento de Marjorie a Isadora Cerullo, da seleção de rugby, estampou as capas de jornais do mundo todo

Voltando ao primeiro e primordial ponto desse texto: praticar um esporte/modalidade NÃO DEFINE SUA SEXUALIDADE. Ninguém vai virar lésbica porque joga futebol, ninguém vai virar hetero porque joga vôlei. Isso é (deveria ser) óbvio, mas por mais incrível que possa parecer, há muitas, milhares, milhões até de meninas que são PROIBIDAS de praticar determinada modalidade por seus pais, que acham que suas filhas serão lésbicas se assim o fizerem. Não, não serão. Não por isso, quer dizer.

E aí entra outro ponto interessante – E ABSURDO: QUAL É O PROBLEMA se a atleta for lésbica? Resposta: NÃO HÁ PROBLEMA.

Aonde as pessoas querem chegar rotulando a sexualidade de uma pessoa pela atividade que ela pratica? E, mais importante de tudo: O QUE VOCÊ TEM A VER COM ISSO, MINHA DEUSA?

O maior problema é que, por causa desses dois preconceitos – machismo e homofobia – muitas mulheres se afastam dos esportes.

Já vi menina adulta, com seus vinte e muitos, que adorava jogar futebol e foi obrigada pelos pais a parar de jogar porque no grupo tinham meninas homossexuais. Ou seja, acreditaram que, se a filha jogasse com elas, poderia se tornar gay.  De novo: Acham mesmo possível que alguém mude sua atração física por causa de um esporte? Tem que ser muito raso para pensar isso. Mas OK, vamos pensar que sim e repetir: E AÍ, QUAL É O PROBLEMA?

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Amanda Nunes, a primeira mulher brasileira campeã do UFC, e a namorada

A sexualidade da pessoa não é da conta de ninguém além dela mesma.

Enquanto os preconceitos persistirem, mais casos como esses irão acontecer. Para quebrar esse ciclo de erros, temos que dar às nossas meninas as mesmas oportunidades de praticar esporte que damos aos meninos. E ensinar aos meninos que suas amiguinhas são iguais a eles e podem praticar o esporte que bem entenderem. Porque o direito de praticar esporte não deve ser definido pelo gênero. Nem pela orientação sexual. Praticar esporte é um direito de todos – e o ódio ao diferente torna-se um obstáculo a mais. (Aliás, o ódio em si sempre será um obstáculo).

E quantas mulheres no esporte já não perdemos? Que quando crianças não tiveram nenhum incentivo ao esporte, que foram colocadas de lado na aula de educação física porque ali não era o lugar delas? O espaço, a diversão, a competição eram – e em muitos lugares ainda são – exclusividade masculina. E ai daquela que batesse o pé para jogar com os meninos, o alarme machista-homofóbico era ligado do bedel até a avó da coitada da criança.

É difícil escrever sobre o tema porque, gente!, praticar um esporte não tem nada a ver com sua orientação sexual e NINGUÉM tem nada a ver com quem você se deita.

As mulheres podem e devem ser o que quiserem. Atletas, bailarinas, atrizes, lésbicas, héteros, bissexuais.

Deixem todas as meninas dibrarem.

*Esse texto foi escrito por Angélica Souza, Nayara Perone, Renata Mendonça e Roberta Nina em nome de todas as ~dibradoras

2 Comments

  1. Olá Renata, tudo bem? Devemos respeitar todos, mas nos campos de futebol a homofobia está no esporte masculino. Frequento vários locais esportivos em Santos e não vejo ninguém gritar nada de uma homossexual, nem mesmo de “brincadeira”. Mas quando se trata do homossexual, um homem ou a “brincadeira” ser para um homem, isso é muito comum e não vejo ninguém repreender. Devemos pensar à quem é direcionado os insultos. Cito como exemplo um jogador do Guarani, que a “torcida” protestou com a chegada dele no clube. Será que se uma jogadora da seleção que seja homossexual assumida fosse vestir a camisa desse clube, fariam o mesmo? Vamos pensar!!!

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