Futebol Masculino

Meu primeiro amor é rubro-verde

*Por Yasmin Vicente, torcedora da Portuguesa

O futebol não entrou na minha vida, eu é que entrei nele. Primeira neta de portugueses, filha de pai santista com mãe são-paulina e afilhada de padrinho palmeirense, o destino me uniu a Lusa. Acho que foi em 1997, eu tinha 4 anos, quando ganhei de presente dos meus avôs, o tão esperado uniforme completo da Portuguesa (camisa, calção e meião) que tanto havia pedido. Um uniforme listrado verde e vermelho, a coisa mais linda que eu já tinha visto. Aquelas cores brilhavam feito sol do meio-dia.

Meu tio, o único que torcia para a Lusa, foi ele o culpado de tudo isso. Começou a me levar nos jogos ainda menina, quando eu mal entendia por que aqueles homens corriam atrás da bola. E cada jogo era mágico, aquele monte de gente de verde e vermelho, aquela bandinha que andava tocando dentro do Canindé durante o jogo. Tudo foi acontecendo, a Portuguesa foi me tomando. Logo comecei a frequentar o lugar mais badalado da arquibancada, atrás do gol, onde ficam os Leões da Fabulosa. Pronto, nada me tirava dali.

 

Passei a vida toda escutando, “isso é coisa de menino”, “o que é impedimento?”, todas aquelas perguntas toscas que as meninas que gostam de futebol se cansam de escutar. Em todo meu período escolar, joguei futsal pelo colégio, não tinha nada mais esperado que os dias de treino e jogos. Sofri com muita zoação dos meus amigos, também pudera: quem, na minha idade, torcia para um time que não fosse um dos quatro grandes de São Paulo? EU.

Quantas brigas não me enfiei defendendo minhas cores, defendendo o meu manto e minha Lusa. Muito fácil torcer para time campeão o tempo todo, time com uma arquibancada lotada, muito fácil ser modinha. Mas, mais legal que isso, é ir às caravanas, é ter mais da metade do seu armário verde e vermelho, é tomar chuva e sol. É ficar rouca e sem conseguir falar de tanto gritar e empurrar o time. É fazer amizades onde você mais gosta de estar.

Infelizmente não acompanhei dias de glória da minha Lusa. Quem dera se Deus tivesse me deixado acompanhar todos os gênios do futebol do meu time. Evair, Capitão, Enéas, Djalma Santos e ele, o reizinho Dener. Depois de toda história construída, hoje só nos resta às lágrimas e a esperança de uma luz no fim do túnel. A ganância e o ego destruíram a minha Portuguesa.

As palavras me somem ao tentar expressar tamanha raiva e dor que nós, torcedores rubro-verdes estamos sentindo. Dirigentes, presidentes, conselheiros que sequer sabem o que estão fazendo, só estão ali pra arrancar dinheiro. Aqueles que não sabem o que significam as palavras amor, gestão e administração de futebol. Aqueles que sequer pensam em nós, TORCEDORES de verdade. Que gritam, tomam chuva e sol, que choram, que viajam quilômetros para ver a Lusa jogar – muitas dessas vezes um futebol ridículo e sem raça.

É triste demais ver o Canindé abandonado. Funcionários sem receber, jogadores sem vontade de vencer. As alamedas mais lindas que eu já vi, hoje não passam de mal assombradas. A gruta de Nossa Senhora de Fátima, aquela que nunca nos abandonou, esquecida como sapato velho. É triste, é desesperador.

Sempre me questionam o porquê de ser Portuguesa, certamente essa será a única pergunta que eu jamais saberei responder na vida. Seu futuro é incerto, mas o amor será eterno.

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