Futebol Feminino

~Dibres na Arquibancada: ‘Me libertei quando fui ao estádio sozinha pela primeira vez’

A torcedora corintiana Jéssica Fressato, de 24 anos, entrou em contato conosco nesta semana para contar uma experiência inédita que teve nos últimos dias. Ela tomou coragem, enfrentou seus medos e foi à Arena Corinthians no domingo acompanhar o jogo entre Corinthians e Vasco. O que a motivou a fazer isso foi esse texto que ela leu aqui.

Nesse depoimento, ela nos conta como foi a experiência e por que ela acredita que mais mulheres deveriam fazer o mesmo:

Sou Jéssica Fressato, tenho 24 anos, com o coração cheio de amor e fanática pelo Timão. O futebol entrou na minha vida bem cedo, eu tinha por volta dos 5 anos de idade quando meu pai me colocava do lado dele do sofá para assistir os jogos do Corinthians. Durante toda minha infância era fascinada por esse esporte, tanto que jogava quase todo dia com a molecada que morava perto de mim.

A partir daí recebi várias influências das pessoas, de histórias e de até outros times. Mas soube o que era torcer e ter amor por um time quando fui a um estádio. Sempre que surgia a oportunidade de alguém ir comigo, eu tava na arquibancada gritando muito.

A vontade que eu sentia de estar na torcida em todo o jogo era gigantesca, mas não era todo momento que alguém estava disponível para me acompanhar. E então eu reprimia essa vontade. Comecei a me questionar: é errado ir sozinha? O que pode acontecer? Será que vão me julgar? Será que vão me assediar? Todos os pensamentos negativos passavam na minha cabeça ao cogitar isso.

Depois de um tempo eu conheci a página no facebook das Dibradoras. E vendo todo o conteúdo, eu me senti em casa e amei tudo o que postavam. Ao entrar no site, me deparei com uma matéria que era justamente sobre ir ao estádio sozinha. Achei aquele depoimento muito inspirador e assim eu consegui criar coragem. Logo após da leitura eu respirei fundo, coloquei todos os meus anseios de lado e fui comprar meu ingresso. Minha cabeça estava a mil e criando várias expectativas sobre o que estava prestes a acontecer.

E foi no dia 17 de setembro de 2017 que eu quebrei mais uma barreira. Fiz o meu roteiro para o dia do jogo, coloquei a camiseta do timão e fui pra Arena. Com o coração na boca e ainda com medo e receio de tudo o que poderia acontecer, mas com uma felicidade enorme e um sentimento de libertação. Entrei no estádio, sentei no meu lugar, e disse: era o que precisava! Ver o meu time jogar, apoiar, gritar e vibrar com a torcida.

Nada de errado aconteceu comigo, não fui assediada e não fui cantada por ninguém. Eu tive uma ótima experiência e saímos com uma dupla vitória: a do meu time e a minha. Não me arrependo nenhum segundo de ter feito isso, e farei muito mais vezes. Nós mulheres vivemos numa sociedade machista e misógina, e nesse meio esportivo não é diferente, mas estou disposta a mudar isso. Eu disse não para o meu medo e fui na fé, porque o que eu mais queria era ver o bom e velho futebol. E como sempre digo: lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no estádio.

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