Basquete

“Me incomodou ouvir que o basquete feminino morreu e decidi mostrar que era diferente: presidente da LBF busca resgatar a moral da modalidade”

Nesta terça-feira (12/12) em São Paulo, a LBF (Liga de Basquete Feminino) apresentou em São Paulo os detalhes da principal competição do basquete feminino do Brasil. O evento reuniu atletas, ex-atletas, dirigentes e técnicos das equipes e pessoas ligadas ao basquete.

O torneio terá a participação de 9 equipes com início para a disputa no dia 12 de janeiro e término no dia 03 de junho. Serão 18 rodadas com jogos de turno e returno e quartas de final e semifinal disputadas em séries melhor de três jogos. A grande final será disputada em uma melhor de cinco partidas.

Ricardo Molina durante a apresentação da LBF Caixa (Roberta Nina / dibradoras)

Para o presidente da Liga, Ricardo Molina, o momento do basquete feminino é muito bom no Brasil.

“Essa sensação de que o basquete feminino é muito praticado eu sempre escutei, mas eu fui conferir e ouvir as pessoas. Me incomodou ouvir que o basquete feminino morreu e isso mexeu comigo. Decidi que tinha que mostrar pra todo mundo que a gente precisava pensar diferente. Essa mudança é muito mais moral do que técnica, operacional, do que qualquer outra coisa. Eu tenho certeza que o feminino é forte, mas temos que organizar”, afirmou para as dibradoras.

Laís Elena, ex-jogadora e ex-treinadora de basquete

Ricardo nos contou que na primeira reunião para estruturar a liga organizada em agosto, 16 equipes demonstraram interesse em participar. Ele acredita que com a liga brasileira fortalecida, as jogadoras terão mais interesse em jogar aqui. “Talvez no ano que vem, o número de jogadoras que vão jogar fora do país diminua muito porque o campeonato ideal vai estar aqui. A ideia é mudar a realidade do basquete pela sua moral, a capacidade técnica já tem.” O maior desafio de Molina é fazer com que as equipes tenham uma sequência de participações, ano a ano, para fortalecer e fazer o campeonato crescer.

Laís Elena, ex-jogadora da seleção que participou de quatro Mundiais e três Panamericanos, também marcou presença no evento. Aos 73 anos, ela é a grande responsável pelo basquete feminino do Santo André manter sua tradição na modalidade. Com mais de 30 anos de experiência como treinadora, Laís acredita que o que falta para o basquete feminino se manter ativo é investir no trabalho de base.

“Nós em Santo André começamos um trabalho de base muito forte, ganhamos o Paulista sub-13 agora e estamos com uma equipe sub-14 pro ano que vem que arrisco dizer que vai ser campeã de todas as categorias que ela passar. Temos cinco meninas de muito talento que com certeza chegarão em seleção brasileira.”, nos disse.

EQUIPES PARTICIPANTES

São nove equipes, entre elas quatro estreantes: Vera Cruz/Campinas, Poty/Bax/Catanduva, Funvic/Ituano e São Bernardo/Instituto Brazolin/UNIP. Completam o quadro da competição os times de Blumenau, Presidente Venceslau, Sampaio Basquete, Santo André/APABA, Uninassau e Vera Cruz Campinas.

Entre os nomes que se destacam está Antônio Carlos Barbosa e a pivô Kelly ambos medalhistas de bronze nas Olimpíadas de Sydney, em 2000 e que defenderão a equipe de Itú. O time de Campinas contará com a jogadora Karla Costa, ex-Corinthians/Americana e atual campeã da LBF.

O clássico do ABC paulista entre Santo André e São Bernardo abre o calendário da primeira fase.

TRANSMISSÃO NA TV ABERTA, POR ASSINATURA E VIA WEB

Esta é a grande cesta da LBF, sem dúvidas. A bola rosa oficial do torneio poderá ser vista em quadra em diversas formas. A TV Gazeta será a emissora oficial da competição e exibirá os jogos da LBF todos os domingos, às 15h. A ideia é marcar território e criar uma rotina para que o público saiba que neste dia e horário o basquete feminino estará ao vivo na TV aberta.

Bola Wilson oficial da competição / Roberta Nina (dibradoras)

Além da Gazeta, o canal por assinatura Sportv fará transmissão de algumas partidas e liga terá uma plataforma via internet para exibição online de todos os jogos – além de programas especiais sobre as equipes e os confrontos.

Alessandra, ex-jogadora da seleção brasileira, medalhista olímpica em 2000 e 20004, reforçou a importância da transmissão em TV aberta. “É uma grande vitória, a família do basquete feminino precisava disso”.

Laís Helena acredita que o preconceito em torno do basquete feminino existe e com a chegada da TV aberta isso pode diminuir.

“Essa liga mais competitiva, mais equilibrada e com a TV aberta pode gerar um interesse maior de patrocínio e, aos poucos, vamos voltar a ser aquele Brasil que foi campeão mundial na Austrália e vice-campeão olímpico.”

Uma das grandes atrações no basquete internacional, a LBF também anunciou a participação de mascotes oficiais para cada equipe com o objetivo de entreter o público. Além disso, em 2018, as melhores jogadoras da LBF entrarão em quadra nos dias 7 e 8 de abril, em Santo André, para um duelo contra a seleção da Liga Argentina (a confirmar) e o evento promoverá também um campeonato de enterradas.

TRANSPARÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO

Um dos principais motivos de orgulho para a LBF é a recomendação da certificação do ISO 9001, de 2015, que comprovam que os processos dos serviços da liga foram auditados pela Fundação Vanzolini, uma das mais respeitadas certificadoras do país. Com isso, a LBF terá todos os seus processos padronizados, garantindo maior transparência e segurança para as próximas administrações.

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