Futebol Feminino

Marta de volta ao futebol brasileiro: como ela poderia mudar a realidade da modalidade?

No primeiro domingo de abril, Marta estava praticando cooper no calçadão da praia de Santos. Acompanhada de duas amigas, a jogadora eleita por cinco vezes como melhor do mundo deu uma breve passada na Baixada para rever as amigas e os colegas que fez quando defendeu as cores do time alvinegro entre 2009 e 2010, por apenas três meses, e em 2011. Com o time da Vila Belmiro, Marta fez 39 gols em 26 partidas. 

Marta atua pelo Rosengard da Suécia desde 2014 e, após eliminação da Champions League, a atleta foi dispensada pelo clube para defender a seleção brasileira no amistoso contra a Bolívia no dia 09 de abril, em Manaus. A parada estratégica em Santos foi, é claro, planejada pela atleta.
No sábado ela jantou com algumas amigas – entre elas, Maurine, a meio-campista das Sereias da Vila – e no domingo à tarde, foi até a Vila Belmiro para assistir a partida entre Santos e Vitória, válida pelo Brasileirão Feminino.

Sentada ao lado do presideMarta - Santos FCnte Modesto Roma Jr., Marta viu o Peixe derrotar a equipe baiana por 3×1 e claro, fez surgir rumores de um possível retorno. Será que a rainha do futebol feminino estaria pensando em voltar a jogar no Brasil? O portal globoesporte.com publicou que o Santos sonha em ter a atacante de volta (quem não sonharia, não é mesmo?!), mas Marta afirmou que a possibilidade não é viável para o momento. Ficamos aqui imaginando: se Marta voltasse a jogar no Brasil, o futebol feminino poderia ganhar maior destaque na mídia e atrair mais público ao estádio? Temos certeza que sim.

Marta acabou de se tornar cidadã sueca após 10 anos vivendo no país. A jogadora deixou o Brasil em 2004 (com 18 anos na ocasião) e já jogou em três equipes locais (Umea, Tyreso e Rosengård). Sem considerar as temporadas em que atuou nos Estados Unidos e no Brasil, Marta disputou 10 temporadas na Suécia, e se prepara para a 11ª com o Rosengård, clube de Malmö.

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A jogadora revelou que optou pela dupla cidadania porque deseja viver a longo prazo na Suécia, inclusive quando encerrar sua carreira. O contrato da craque com o time sueco termina no final de 2017, mas existem rumores de que o Orlando Pride, clube dos Estados Unidos, estaria interessado em contar com a jogadora.
Ter a camisa 10 da seleção jogando no Brasil seria importantíssimo para a modalidade em diversos aspectos. Listamos alguns:

– Atrair maior cobertura nacional para o futebol feminino
Temos visto pequenos avanços na divulgação da modalidade. Muitos portais e alguns jornais têm dedicado espaços para falar sobre o Brasileirão e seleção feminina. Ainda é bem pouco, mas o interesse cresceu até que razoavelmente. Toda segunda-feira, por exemplo, o SporTV exibe uma partida do Campeonato Brasileiro durante a tarde e, como não é possível contar com o apoio massivo das TVs, os clubes fazem sua parte e transmitem os confrontos ao vivo pela internet (página do Facebook). Com Marta dando show nos gramados, o interesse das emissoras, dos noticiários esportivos e da imprensa deve aumentar consideravelmente. Quem sabe até criem uma editoria só com notícias de futebol feminino dentro dos principais sites do país. Não seria ótimo?

– Levar mais torcedores ao estádio
Quem é que não iria até a Vila Belmiro (ou qualquer outro estádio) para ver a Marta em campo? Com as facilidades e gratuidades que o futebol feminino proporciona, qualquer um pode ter a oportunidade de assistir a melhor do mundo jogar. As arquibancadas podem ficar mais cheias e as crianças – principalmente as meninas – terão um exemplo vivo para se inspirarem

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O clube pode lucrar com a venda de camisas com o nome da Marta e os torcedores poderão – até que enfim – vestir uma camisa com o nome da melhor do mundo estampado nas costas.

– Atrair patrocinadores
Parcerias pontuais poderiam render uma bela grana aos clubes. Ceder espaço na camisa para que as marcas exponham seus produtos é algo que pode explorado. Com a grana, mais investimento pode ser feito na modalidade feminina.

– Inspirar as novas gerações
As meninas que amam o futebol e desejam jogar profissionalmente precisam de exemplos femininos para se inspirar. Existe alguém melhor do que a Marta para isso? É muito importante que elas queiram seguir o exemplo de alguma jogadora e isso só pode ser possível com a proximidade de uma craque.

– Destaque internacional para o futebol brasileiro
Onde tem Marta, tem mídia. E é claro que teríamos cobertura internacional destacando a passagem da rainha por um time brasileiro. Seria ótimo mostrar a cara do Brasil e do nosso campeonato de forma positiva para as outras potências da modalidade.

– Porta-voz da modalidade
Sempre frisamos a necessidade de ver as jogadoras unidas buscando melhorias pro futebol feminino e fazendo exigências para as federações e confederações. Com Marta no Brasil e assumindo a postura de porta-voz, as exigências ganham mais força e valor aos olhos de quem cuida do futebol feminino. Atletas que se posicionam e que tem o currículo como o de Marta fazem a diferença quando encabeçam ações em busca de igualdade de gênero. A melhor jogadora que o Brasil (pouco) produziu é perfeita para esse cargo.

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É muito difícil afirmar o retorno de Marta ao Brasil – seja em qual temporada for – e se ela acredita no poder que tem para encabeçar uma luta a favor do desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, mas é inegável que respaldo para isso ela tem de sobra. Resta saber se ela também deseja encabeçar essa mudança.

Créditos fotográficos: Renan Fiuza/Globoesporte

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