esporte, MMA

Lute como uma menina. Lute como Amanda Nunes.

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48 segundos foi o tempo que Amanda Nunes precisou para nocautear Ronda Rousey, uma das maiores lutadoras da história do UFC, e manter o cinturão dos pesos galos. A primeira brasileira campeã no MMA não deu chances para aquela que foi a atleta símbolo da modalidade por muito tempo e que conquistou o espaço para as mulheres nesse esporte. Duas gigantes no octógono – e Amanda mostrou que veio ao UFC para ficar.

“Ninguém vai tirar esse cinturão de mim. Em toda a minha preparação, eu sabia que iria ser campeã. Sou a melhor lutadora do mundo agora”, disse a Leoa.

‘Lute como uma menina’

Todo mundo já ouviu ou já usou alguma vez expressões do tipo “esse aí joga que nem menina”. Ou “parece uma menina chutando”. Ou ainda “ele chora como uma menina”. Comentários desse tipo nunca vêm quando uma pessoa está fazendo uma coisa muito bem. Muito pelo contrário: fazer algo “como uma menina” significa ser muito ruim nisso.

Mas os tempos estão mudando – e o significado dessa expressão também. E me arrisco a dizer que, muito em breve, a expressão original perderá o sentido. O feito de Amanda Nunes no octógono na última sexta-feira é a prova disso. A primeira mulher brasileira campeã do UFC, a primeira a vencer Ronda Rousey. Depois do nocaute que ela deu para finalizar a americana em menos de um minuto, alguém ousaria dizer que “lutar como uma menina” é lutar mal?

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O UFC sempre foi considerado território masculino e “proibido” para mulheres. O campeonato das chamadas “artes marciais mistas” – mais conhecidas como MMA, na sigla em inglês – surgiu no início da década de 1990, mas só abriu categorias femininas a partir de 2013 – muito por conta da luta e da busca por espaço de Ronda Rousey. Três anos depois, Amanda Nunes finalizou a favorita Miesha Tate em julho deste ano e depois manteve o cinturão vencendo Ronda para colocar seu nome na história da competição e da modalidade.

Mas antes de derrubar essas duas gigantes, a baiana precisou derrubar o preconceito que a acompanhou desde o primeiro dia na academia de jiu-jistu. Aliás, antes disso, já havia se deparado com o machismo ao escolher jogar futebol – e não brincar de boneca, que é o que se esperava de uma menina na infância.

Nascida no interior da Bahia, Amanda, era a única mulher a treinar jiu-jitsu na academia que ela frequentava aos 16 anos. Todos os dias, ela entrava ali para lutar não só contra os adversários, mas contra os olhares, as encaradas, os recados que tentavam passar a todo tempo para ela: “você não pertence a esse lugar”. E seria tão fácil ela ter desistido. Porque, realmente, até parecia que não era para ela mesmo. Se só havia homens ali, por que ela, mulher, insistia em ficar?

Ela foi para Salvador, treinar (e morar) em uma academia maior para ter dedicação total ao esporte, mas adivinhem? Só ela de mulher. De novo. É o tempo todo o mundo dizendo: “isso não é lugar para você”. Mas Amanda resolveu provar que, na verdade, era sim.

‘Leoa’

Lutando de igual para igual e se mostrando tão forte e ágil quanto os homens que treinavam com ela, Amanda ganhou o apelido de “leoa”. Foi matando “um leão por dia” que buscou seu espaço, venceu campeonatos, foi treinar nos Estados Unidos até galgar sua vaga no UFC e ter a chance de conquistar seu primeiro cinturão.

A lição que fica é exatamente essa: não há limites para as mulheres. Não há nada que possa fazê-las parar. Podem dizer que isso “não é para elas”, que esse lugar “não é delas”, ou o que for. Seremos como Amanda Nunes, sempre resistiremos. A lutadora que saiu do interior da Bahia para se tornar a melhor do mundo. Que por muito tempo, foi a única mulher em uma academia cheia de homens, um espaço que diziam “não ser para ela”. E que agora é a primeira campeã brasileira no UFC – a primeira, e não mais a única. Muitas virão depois dela, inspiradas por ela.

Em 2017, vamos lutar como Amanda Nunes. Vamos lutar como mulheres – ninguém poderá nos parar.

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