Futebol Feminino

Lembranças do Paulistana

Por Pedro De Luna

Meu pai é santista, como era meu avô, mas digamos que, graças a mim, ele virou 49% tricolor e 51% alvinegro praiano. Foi ele quem me ensinou, desde moleque, a amar o futebol e a jogar. E foi com ele que assisti zilhões de transmissões da Band, com Januario de Oliveira, Luciano do Valle, Silvio Luiz, Nivaldo Prieto, Gerson, Tostão, Rivellino, Mauro Beting, Armando Nogueira, Juarez Soares, Luis Ceará, Addison Coutinho, Oswaldo Paschoal, Fernando Fernandes, Elia Junior e cia. Eram hábitos que nos uniam.

Lá pelos idos de 97, Luciano do Valle decidiu apostar no “produto” futebol feminino, que já havia ido muito bem nas Olimpíadas de Atlanta em 96. A Band então passou a transmitir e patrocinar um campeonato, que se não me engano, se chamava Paulistana. As transmissões tinham como narradora a esposa dele, Luciana do Valle e os comentários do João Zanforlin, há alguns anos advogado do Corinthians. Aliás, no Corinthians, jogava a Milene Domingues, na sua época pré-Ronaldo, quando estava pra se tornar a “rainha das embaixadinhas” e era uma lateral-esquerda discreta oriunda da escolinha do Rivellino, onde depois joguei por 3 anos.

No São Paulo, que era patrocinado pelos Ovinhos Turma da Monica e treinado pelo mítico Zé Duarte (técnico da Ponte no vice Paulista de 77, quando o Corinthians saiu da sua fila, e também treinador da Seleção feminina nas Olimpíadas de 96), era disparadamente o time mais forte da categoria e tinha um timaço, com a goleira Maravilha (que era ruiva, pelo que me lembro), a Tania Maria (zagueira que gostava de fortes emoções e depois viraria Tania Maranhão), a Formiga (que teria o estilo de jogo copiado pelo Mineiro), a Suzana, a Sissi (sem nenhum exagero: o Zidane do futebol feminino), a Katia Cilene, artilheira da equipe, e no banco, a Cleo Brandão, apresentadora da Band.

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Por que estou lembrando de tudo isso? Porque meu primeiro jogo no estádio não foi no Morumbi vendo Raí, Rogerio e outras feras dos anos 90 ao lado do meu pai tricolor, e sim no Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, assistindo esse São Paulo feminino massacrar a Lusa Sant’Anna por 5×0 com meu pai santista.

Foi um puta dia.