Futebol Feminino

Futebol Feminino chega, finalmente, ao Museu do Futebol

Em 2011, uma matéria feita pela ISTOÉ Dinheiro com jovens empreendedores que organizam experiências de futebol para pessoas e empresas apontava que o serviço de visita ao Museu do Futebol, guiada por estrelas do mundo da bola, custava a partir de R$ 700 por pessoa.

Na última terça-feira (19), eu e as mais de 100 pessoas presentes no evento de inauguração do acervo de futebol feminino pudemos fazer isso de graça. Nossas “guias” eram nada mais nada menos que jogadoras e ex-jogadoras da seleção brasileira e diversas outras mulheres que marcaram a história da modalidade no Brasil e no mundo, a exemplo de Léa Campos, a primeira árbitra mulher da FIFA.

Elas não estavam lá por terem sido contratadas. Muito menos para aparecer em algum veículo famoso da imprensa. Estavam para agradecer e desfrutar da homenagem que finalmente o seu país as concedia. Passeavam pelas novas peças do Museu emocionadas, a passos curtos e olhares curiosos e encantados. Paravam sem pressa para atender aos pedidos de foto e depoimento de jornalistas e fãs.

Aline Pelegrino, zagueira que já defendeu a seleção em dois mundiais, ficou um bom tempo analisando o mural digital de fotos dos torneios internacionais. A cada toque na tela, ela soltava um “Nossa, esse foi complicado, hein?”. Quando encontrou uma imagem da ex-jogadora norte-americana Brandi Chastain comemorando um gol na Copa de 1999, disse para a colega goleira Thais Picarte: “Olha isso! Olha esses músculos! Elas já eram muito mais fortes que a gente, não tinha como competir”.

Contando histórias para fazer história: um golaço do Museu do Futebol

Estudar, pesquisar e construir um acervo de futebol feminino em um país como o Brasil já é, por si só, uma tarefa digna de reconhecimento. Mais que uma produção cultural de alta qualidade, o projeto Visibilidade para o Futebol Feminino é um marco na reconstrução da forma como a modalidade merece ser encarada por aqui.

Em tempo, a diretora executiva do Museu do Futebol, Daniela Alfonsi, não deixou de reconhecer que o trabalho já deveria ter sido feito há muito tempo.

Buscar as referências sobre a participação das mulheres no futebol nos causou um profundo estranhamento com o nosso próprio acervo. Porque mesmo demoramos tanto tempo para incluir as mulheres?

Ao selecionar o que guardamos, selecionamos também aquilo que ficará esquecido. Nunca essa máxima esteve tão presente no nosso dia a dia como nos últimos meses. Montar essa exposição foi como montar as peças perdidas de um quebra-cabeça ou pinçar, de dentro de uma caixinha de esquecidos, peças que nunca deveriam ter ficado lá.

Um consenso entre os presentes na inauguração foi de que o grande diferencial da exposição está no modelo como ela foi construída, que vai na contramão do tratamento marginal dado até hoje ao futebol feminino no Brasil. Aqui, as peças “esquecidas” foram, finalmente, reencaixadas em uma história da qual elas sempre fizeram parte.

As novas fotos e vídeos que trouxemos ao público harmonizaram-se no conjunto de cada sala. Passam a sensação de que sempre estiveram lá, e a gente é que não conseguia ver. Esse entendimento do nosso papel nos levou a propor uma exposição diferente: ao invés de criar algo à parte da grande história do futebol, incluímos as mulheres dentro dessa história. – contou Daniela.

Além do novo acervo, o projeto do Museu também conta com a realização de um Ciclo de Debates sobre a modalidade. A terceira apresentação ocorrerá nesse sábado (23), a partir das 10h, no Auditório do Museu do Futebol, e discutirá o desenvolvimento das categorias de Base do Futebol Feminino no Brasil. A programação completa e atualizada pode ser acompanha pelo hotsite http://futebolfeminino.museudofutebol.org.br/

A exposição vai até o dia 30 de dezembro. A entrada no Museu custa R$ 6 (inteira) ou R$ 3 (meia), e é gratuita aos sábados. O acesso é pela parte frontal do Estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller, s/n.