Futebol Feminino

De torcedora a árbitra e jogadora: como me apaixonei pelo futebol americano

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O futebol americano tem virado uma febre no Brasil na última década – principalmente depois que a ESPN passou a transmitir todos os anos a temporada da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos.

E, com a popularidade do esporte, claro que mais e mais mulheres também passaram a se interessar por ele – ainda que muitos ainda insistam em dizer que nem mesmo esse futebol é para elas.

Às vésperas do Super Bowl (a final que definirá o campeão da NFL no próximo domingo), trazemos aqui a história de uma fanática pelo futebol americano, Amanda Carstens Ramos. Ela começou sua paixão como torcedora sete anos atrás, depois decidiu se envolver mais virando árbitra da modalidade – o que a fez experimentar um pouco do machismo envolvido no meio – até finalmente se tornar jogadora, junto com o time de mulheres que ela própria ajudou a formar.

Veja o depoimento dela às dibradoras:

“Eu conheci o futebol americano pelo meu namorado. Ele já jogava em Campo Grande, aí com ele aqui em Curitiba comecei a acompanhar NFL, em 2010. Foi aí que eu comecei a gostar, a aprender regras, sempre fui meio autodidata com o futebol americano.

Depois, ele entrou num time aqui de Curitiba,e eu ia assistir aos treinos dele. Fui aprendendo, aprendendo, e aí entre 2011, 2012 eu fiz uma prova para ser árbitra. E passei em primeiro lugar! Então eu comecei apitando. Apitei por 5 anos.

Eu ouvi bastante preconceito quando era árbitra. No sentido de “como você, toda pequenininha, vai ficar aí no meio de um monte de homens se batendo…”. Não, eu não tenho medo, eu MANDAVA em todos eles lá, então não tinha problemas (risos).

Sempre me senti de igual para igual com os homens, então para mim, eu sempre tive argumentos para combater esse tipo de preconceito.

Já escutei na arbitragem jogador dando em cima no meio do jogo, aquelas cantadas bem baixo nível, sabe? Mas aí a gente dava falta de 15 jardas e cessava já.

Com o tempo, ainda acompanhando meu namorado nos treinos, comecei a falar com algumas das namoradas dos meninos do time para jogarmos também. E aí íamos treinar com os namorados nos ensinando. Era um hobby, a gente ia todo final de semana no parque e a gente treinava.

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Só que em 2015 tinha outro time formado aqui em Curitiba, e elas convidaram a gente para se juntar e virar um só. Foi o que aconteceu, aí comecei a jogar  em julho de 2015.

É difícil encontrar gente jogando, mas aqui até que a gente está achando um número bom. A gente faz try outs e vem cerca de 15 meninas cada vez, então para nós já é sensacional. Queríamos mais pra participar de campeonato com bastante meninas, revezar em campo, mas tem que trabalhar com o que tem.

Jogando, eu nunca sofri muito preconceito porque  todo mundo que me conhece sabe que eu sou meio “bruta”, meio “ogrona”, então eu escuto bem pouco. Mas eu escuto colegas da faculdade falando “todo mundo se batendo ali, você não tem medo?”. Mas nem ligo para isso.

Sobre ouvir gente “duvidando” do meu conhecimento de futebol americano também não acontece muito. Quase sempre sou eu que ensino as pessoas novas que estão assistindo, então eu nunca escutei isso. Já presenciei pessoas ficando supresas com meu nível de conhecimento, mas não duvidando. Toda a minha família apoia, sempre apoiou desde o começo, então pra mim é tranquilo.

Eu confesso que já gostei muito de futebol, o futebol “brasileiro” mesmo. Minha família é toda torcedora do Grêmio, já acompanhei muito, tive o quarto inteiro decorado com coisas do Grêmio, mas foi dois, três anos da minha vida. Depois conheci o futebol americano e larguei mão, nem sei o que está acontecendo na verdade (risos).

Acho que a grande diferença do futebol americano é toda a tática por trás de cada jogada. É tudo muito estruturado pensando em ler o adversário e saber utilizar as fraquezas dele a seu favor. O contato em si é uma parte bem legal também (risos), traz mais diversão para a parte tática.

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O que eu gosto demais do futebol americano é que tem toda uma cultura de respeito em cima do esporte.. é difícil ver jogadores fingindo faltas (como vemos no futebol). Os jogadores têm um respeito entre eles, entre os adversários e em relação a arbitragem que o futebol não tem.

Além disso, é um esporte muito emocionante. Em questão de um minuto, pode haver uma reviravolta em toda a partida. Já aconteceu em dois momentos diferentes, por exemplo, de os Patriots (New England Patriots) conseguirem fazer 3 Touchdowns em menos de um minuto!

Acho que é um esporte tão masculino quanto o mundo inteiro é algo tão masculino ainda. O padrão que a sociedade colocou aí é esse, mas a gente está no auge da troca desses padrões, agora que a mulher está se inserindo no meio.

Primeiro a gente tem que tentar quebrar essa barreira de o esporte ser bruto, de ser só pra homem e isso a gente consegue fazer falando para as pessoas assistirem, explicando as regras do jogo, explicando que existe um livro de regras lotado de faltas e que não é que todo mundo pode bater livremente em todo mundo. É um jogo muito físico e de muito raciocínio lógico, que são as coisas que eu mais gosto. É isso que eu tento falar pras pessoas para quem eu tento apresentar o futebol americano.”

O Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol Americano  já teve três edições, e o time de Amanda fará sua estreia esse ano nele. Saiba mais sobre esse esporte e as mulheres que se aventuram nele ouvindo o podcast das ~dibradoras na segunda-feira, dia 6 de fevereiro, na Central 3.

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