Futebol Feminino

“Contra tudo e contra todos”, Tchelo motiva São Paulo e pretende escrever um livro contando as dificuldades enfrentadas

Na última segunda-feira (31 de agosto), o podcast #14 das ~dibradoras recebeu o treinador Marcelo Figerio (Tchelo), que comanda a equipe de futebol feminino do São Paulo Futebol Clube desde abril. O técnico vencedor e com passagens por diversos times tradicionais do Brasil, nos detalhou como a modalidade voltou ao clube paulista e como está lidando com o término da equipe.

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Como tudo se deu

O treinador nos contou que por intermédio de um conhecido, conseguiu mostrar seu projeto para a formação de uma equipe feminina para o tricolor do Morumbi. Na primeira tentativa não deu certo, mas depois, com a ajuda de Marcelo Pepe (dirigente que foi responsável pela recriação dos times de futebol feminino e vôlei), o projeto vingou. Vale ressaltar que Pepe não faz parte mais do São Paulo FC e, seu projeto de reavivar novas modalidades dentro do clube, corre risco de não continuar.

Tchelo foi o responsável por conseguir o patrocínio da CAPES para o time e fez a ponte entre as partes. O apoio da Prefeitura de Barueri veio em seguida e esse parceiro cedeu transporte, estrutura, alimentação, assistência médica e etc . Em suma: o São Paulo emprestou seu nome e sua camisa para o time, a CAPES era a responsável por bancar a equipe (salários de toda a comissão) e a Prefeitura dava o apoio do dia-a-dia.
Tudo começou a minar quando a CAPES atrasou os salários logo no início da parceria. Depois de 4 meses sem receber, o São Paulo arcou com a dívida do patrocinador e colocou em dia os salários das jogadoras e comissão técnica. O custo total – de jogadoras, comissão e estrutura – fica em torno de R$ 120 mil/mês.

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Presença vista na primeira partida da final entre São Paulo x São José, no Estádio do Nacional, o presidente são-paulino, Carlos Miguel Aidar, afirmou em entrevista para as ~dibradoras, que o time feminino não irá acabar, mas sim ficar suspenso, como ficou por algum tempo.

“Há diversas tentativas para buscar patrocínio para o feminino, mas estamos em um ano difícil, O Brasil está em recessão e o clube não está bem financeiramente. Nem para masculino conseguimos um patrocínio, por menor que seja, na manga do uniforme. Se eu tiver um patrocínio, eu monto um time de acordo com a quantia que receber”.

Tchelo, por sua vez, deixou claro que o clube não está errado. “A gente entende o clube. Entende e agradece. Sabemos do problema financeiro do clube e essa quantia, por menor que seja, faz falta no orçamento. Mas eu fiquei feliz em saber que o presidente apoiou e deixou claro que, se houver uma nova parceria, o São Paulo apoia e quer ter o futebol feminino”.

Tchelo ainda citou que o São Paulo fez ações para que as jogadoras conhecessem os jogadores do profissional masculino e prestigiassem o time em jogos no Morumbi. Mas o nosso questionamento foi: Por que o São Paulo não usou esses encontros e ações para promover a equipe feminino nas redes sociais do clube e na SPFCTV? Pensando no time como uma empresa, é mais do que necessário que o marketing dê visibilidade à modalidade e mostre seu “produto” para que novos parceiros e patrocinadores se interessem e injetem dinheiro para bancar as despesas. Na nossa opinião, faltou divulgação e vitrine.
No site há cobertura dos jogos (pré e pós), mas até a chegada do time na semifinal, tudo era postado horas depois da partida ter ocorrido. No primeiro jogo da semi contra o Santos, a partida aconteceu às 11h e o site do clube só postou informações sobre o empate às 22h. No canal da TV Oficial do SPFC, só há dois vídeos sobre o feminino, justamente postados nessa reta final.

Contra tudo e contra todos

Frigerio nos contou que enfrentou milhões de dificuldades ao longo do Campeonato Paulista, além do atraso dos salários. Lesões e perdas de jogadoras fizeram parte da rotina do treinador. “No primeiro jogo da final, eu tinha apenas quatro jogadoras no banco. Não consigo nem montar um coletivo no treino”, declarou. Mesmo com todas as adversidades, o treinador segue motivando o time e mostra para as jogadoras o quão importante é ganhar esse título.

“A gente tem que ser profissional e reverter o processo. Fazer com que as pessoas que estão falhando com a gente, nos olhem com vergonha! Quanto mais resultados positivos nós demos, mais eles terão vergonha na cara”.


Entre o céu e o inferno

Entre a alegria por ter feito uma brilhante campanha no Campeonato Paulista Feminino, o mais disputado da modalidade, e a tristeza pelo fim da equipe, Tchelo busca levantar a taça e escrever um livro contando todas as adversidades que passou ao longo dos meses. “Se as pessoas soubessem de tudo que passamos, de todo o sofrimento…”
Mesmo com todo esse problema e falta de apoio, Tchelo acha muito importante ter os chamados “times de camisa” disputando campeonatos por atrair atenção da mídia e dos torcedores. E por falar em torcida, o treinador assumiu que o apoio vindo das arquibancadas o emocionou muito nessa reta final.

“Quando vi aquela faixa, pedindo para não acabar com o futebol feminino, chegou a cair lágrimas dos meus olhos”.

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FINAL – SÃO PAULO x SÃO JOSÉ
Estádio Martins Pereira – São José dos Campos
Domingo (6/9), às 11h.
O São José, por ter melhor campanha na somatória de todas as fases, tem a vantagem de jogar pelo empate.

Você pode ouvir o podcast #14 com Marcelo Frigerio no link: http://www.central3.com.br/dibradoras-14/