Futebol

Como torcedoras baianas estão se mobilizando por mais espaço no futebol

*Estreia da Coluna ~dibre com dendê 

As torcedoras baianas nunca estiveram tão organizadas: seguindo a tendência de movimentos que começaram a se consolidar em times de outros estados (como as #sãopaulinasuniformizadas, por exemplo), os coletivos de torcedoras já estão uma realidade nos dois maiores clubes do estado, Bahia e Vitória.

Tanto o Clube Leoas, grupo do Rubro-Negro, como as Tricoloucas, do Esquadrão de Aço, são relativamente recentes (as Leoas começaram em setembro de 2016, já as tricolores há cerca de três meses) e ainda pequenos em número de participantes (16 para o Vitória e 17 para o Bahia). Mas os dois coletivos têm marcas mais importantes em comum: representantes em todos os jogos em casa, maioria de sócias-torcedoras, e, claro, paixão pelo clube.

Além de reforçar que as mulheres querem ocupar definitivamente a arquibancada, esses coletivos mostram, também, que as mulheres que amam futebol não querem mais ser vistas como “diferentes”, porque já são muitas. Principalmente, não querem mais precisar da companhia masculina para poderem torcer no estádio. Com os coletivos, é como se dissessem “a gente se basta”.

A estudante Raissa Visco, de 18 anos, conta que a resenha das Tricoloucas começa muito antes do jogo, quando elas se reúnem no mesmo lugar em frente à Fonte Nova para fazer o ‘esquente’.

“Entramos todas juntas, ficamos sempre no mesmo lugar na arquibancada, isso em todo jogo. Não tem por que a gente fazer parte do mesmo grupo e ficar em lugares separados. Juntas temos mais força”, explicou. Além de declarar o amor pelo Bahia, a torcedora diz que um dos objetivos do grupo é “mostrar que a mulher também torce e entende de futebol”.

Do lado do Vitória, a engenheira Juliana Tourinho, de 32 anos, disse que o Clube Leoas começou como uma reunião de mulheres para discutir futebol e evoluiu para um espaço de reivindicação e luta. Agora, as integrantes – que hoje são amigas também fora do Barradão – tocam em assuntos que variam desde a análise de jogo, esportes olímpicos (o Rubro-Negro tem um time de basquete, equipe de remo e futebol feminino, entre outros) quanto política. Não admira, já que o Vitória passou por duas eleições nos últimos dois anos e sofreu reformas cruciais no estatuto social, que transformou o conservador Leão numa democracia.

“Pessoalmente eu nunca tive vontade de participar da vida política do clube, porque o Vitória sempre foi muito fechado. Mas agora, com a democracia, já enxergamos avanços. O grupo já se manifestou politicamente na última eleição, e acho que essa vontade de participar vai vir naturalmente. E precisamos ter mulheres opinando porque muitas questões importantes para nós os homens não entendem“, ponderou a torcedora.
Questões essas que podem permear desde assuntos técnicos – como alterações no estatuto do clube e participação no Conselho Deliberativo, por exemplo – até a valorização das mulheres como importante público consumidor. O que também, vale dizer, está na mira das Tricoloucas num futuro não tão distante.
No que depender dessas mulheres, mudanças são mais do que esperadas: são inevitáveis. E a tendência é que o futebol baiano, como um todo, seja o maior beneficiado dessa transformação.

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