Futebol Feminino

Com 100% de aproveitamento, Brasil chega favoritíssimo na semifinal do Pan

Nessa quarta-feira (22), às 18h35, Brasil e México reeditam a semifinal do Pan de 2007, quando as brasileiras conquistaram o ouro em casa. Dessa vez, a Seleção vem de uma recente campanha desanimadora na Copa do Mundo, mas o técnico Vadão parece ter aprendido a lição de que em time que está ganhando não se mexe. 

Passados os três jogos da primeira fase do Pan, é nítida a diferença entre a seleção que busca o terceiro ouro no Canadá e aquela que, há pouco mais de um mês, foi eliminada precocemente nas oitavas de final da Copa do Mundo, também realizada em solo canadense.

Em uma análise simplista, muitos poderiam dizer que a mudança se deve à diferença entre o nível das adversárias, já que o Mundial, diferentemente do Pan, conta com a participação das grandes potências da modalidade, como Alemanha, Estados Unidos e Japão. No entanto, o Brasil, que ainda contava com a craque Marta durante a Copa, não enfrentou nenhuma seleção que fosse até então considerada um grande desafio.

Antes de serem eliminadas pela Australia, as brasileiras venceram Coreia, Espanha e Costa Rica, e seguiram para as oitavas com 100% de aproveitamento. Mesmo assim, o Brasil nitidamente não havia apresentado um futebol convincente, pois tinha muitas dificuldades na criação de jogadas e dava pouco trabalho para as defesas adversárias.

Mudança tática

Para a disputa do Mundial em junho, o técnico Vadão optou por fazer uma mudança no esquema de jogo brasileiro. Postadas no novo 4-1-4-1, a atacante Cristiane foi fixada como pivô de referência na área e Marta foi deslocada para a esquerda, ambas fora de suas posições favoritas. A aposta poderia ser interessante, mas o Brasil teve pouquíssimo tempo para treinar e se adaptar ao novo esquema.

Até então, a equipe campeã do Torneio Internacional e da Copa América, ambos disputados no final de 2014, jogava no 4-4-2. A Copa, com todo o seu alto grau de dificuldade, era o primeiro torneio que elas disputariam na nova formação. Não foi à toa que os elogios daqueles que acompanhavam o Mundial ficaram para as zagueiras, enquanto que o bloco ofensivo era criticado por não conseguir criar chances de gol.

Voltando atrás

Felizmente, para os Jogos Pan-Americanos, a comissão técnica optou por voltar ao esquema habitual da Seleção. Mesmo sem Marta, o Brasil criou inúmeras jogadas ofensivas em todas as três partidas disputadas até aqui. Se no Mundial elas saíram da primeira fase com 4 gols marcados, no Pan esse número já chegou a 12.

Em entrevista ao podcast das dibradoras, a atacante Cristiane, que marcou 5 dos 7 gols brasileiros na goleada contra o Equador na última quarta-feira (15), explicou como a mudança tática influenciou no seu desempenho.

Nós jogamos a Copa América ano passado no 4-4-2 e eu saí como artilheira da competição. Aí entrou esse ano ele quis dar uma mudada, jogar no 4-1-4-1, mas aí eu ficava muito como centro-avante. Ele [Vadão] sabe que é uma posição que eu não gosto muito, porque tira um pouquinho daquilo que eu sei fazer, que é o 1 contra 1, é ir pra cima, vir receber a bola. Voltar pro 4-4-2 tem me ajudado bastante.

Confiantes, as brasileiras seguem como favoritas não só para a partida da semifinal contra o México, mas para subirem ao lugar mais alto do pódio em Toronto e entrarem para a história com o tricampeonato pan-americano.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF