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Caroline Kumahara: atitude no tênis de mesa brasileiro

No podcast de número 46 do dibradoras conversamos com Caroline Kumahara. Classificada para os Jogos Olímpicos do Rio, Caroline, ou Carol como passamos a chamá-la sem demora, é a atleta brasileira do tênis de mesa mais bem colocada no ranking mundial.

O caminho de Carol no esporte começou muito cedo já que ela nasceu em uma família de atletas. Seu pai teve o sonho de se tornar jogador de futebol, mas, devido a dificuldades financeiras da família, não teve condições de perseguir esse sonho. Nem por isso, deixou de influenciar seus filhos a abraçarem seu amor pelo esporte. Dois de seus filhos mais velhos, além da própria Carol, seguiram os passos do pai se dedicando ao futebol.

Caroline-Kumahara

Para Carol, no entanto, o amor pelo tênis de mesa falou mais alto ainda na infância. E o primeiro contato com o esporte se deu se maneira bastante natural. Com nove anos seu pai decidiu comprar uma mesa de ‘ping-ping’ para lazer da família. Mal imaginava que a filha iria tomar tanto gosto pela prática, que não pretendia ser mais do que uma brincadeira.

Em pouco tempo, a menina demonstrou talento e abandonou o futsal para dedicar-se aos treinos diários do tênis de mesa. Diferentemente de muitos atletas, Carol sempre gostou muito de treinar. Assim, o caminho para se tornar uma atleta profissional do tênis de mesa se traçou de forma bastante natural. Com 15 anos já disputava o Pan Americano de Santo Domingo.

Perguntamos à atleta sobre o papel de Hugo Hoyama nesse Pan, quando a equipe feminina brasileira chegou a uma final inédita contra as estado-unidenses, terminando com a prata. Sobre o tema, Carol não mede as palavras: ressalta a importância de Paco, seu técnico no clube de São Caetano, assim como a preparação pela qual a equipe passou, antes da chegada Hugo Oyama na comissão técnica.

Considera que a conquista acabou se ligando a ele por ser a figura mais conhecida do tênis de mesa brasileiro, mas garante que o resultado foi muito mais fruto do trabalho da equipe, que vinha de preparando com seus técnicos individuais e competindo em alto nível há bastante tempo, do que aos treinos de Hugo Oyama, que, segundo ela, pouco acompanhava a equipe.

Ainda falando sobre a comissão técnica, questionamos Carol sobre a falta de mulheres entre as treinadoras, fato que Carol lamenta. Ela diz que chegou a treinar com a esposa de Paco, mas que, infelizmente, esse caso é ainda uma exceção. Carol pensa sobre a possibilidade de uma carreira como técnica no futuro (e a torcida das ~dibras é que ela leve esse sonho adiante).

Essa falta de treinadoras mulheres está inevitavelmente ligada ao machismo no esporte. Acerca das situações advindas desse pensamento que já enfrentou durante sua (não tão) curta carreira, Carol fala das piadas e comentários machistas vindo até mesmo de pessoas com quem trabalha. Calejada, Carol conta que tem pouca paciência para esses comentários e responde à altura.

Conversamos também sobre a questão de sua sexualidade, da qual fala abertamente já há algum tempo, Carol conta sobre o processo de se ‘declarar’ homossexual e do receio que sentiu ao sair do armário.

Hoje é bem tranquilo, eu falo com naturalidade assim. Eu acho que não tenho muito problema com isso. Se (alguém) tiver eu ignoro porque o problema é da pessoa. Eu não ligo muito. A pessoa que não bate muito bem da ideia.

Carol nos conta que a relação com a atual namorada começou como amizade, mas logo se transformou em algo mais. Além da dificuldade de se relacionar com uma mulher, numa sociedade homofóbica e machista como a nossa, as duas tiveram que enfrentar a questão da distância já que a namorada de Carol vivia no Japão.

Questionamos Carol acerca de outro ponto do qual falamos com frequência no dibradoras: a cobertura da mídia, sempre focando nos atributos físicos das atletas. Sobre o tema, Carol dispara:

A gente treina tanto para conseguir resultados, para aparecer com as conquistas (…) que o nosso trabalho seja valorizado e aí chega a mídia e só valoriza o que é importante para os homens, que é mostrar as mulheres bonitas. E não mostrar o resultado das guerreiras que treinaram, que deram a vida nos treinos, na preparação para conseguir os resultados. Então acho que é esse é mais um exemplo machista da mídia que só se importa com o que é bom para os homens.

Aos 21 anos, e muito mais madura do que em Londres, enfrenta sua primeira Olimpíada e lida com a pressão de jogar a maior competição do esporte mundial em casa. Em seu segundo ciclo olímpico, Carol se considera muito mais preparada do que a menina de 17 anos que disputou os jogos de 2012, mal acreditando que entrara na equipe.

Mesmo sabendo da evolução pela qual passou entende que as chances de medalha ainda são pequenas e seu objetivo é avançar o máximo de rodadas possíveis.

Mandou muito bem, Carol! Estaremos na torcida por você nesses jogos e esperamos que vocês também a acompanhem ~dibrando todos os preconceitos e adversários.

Carol Kumahara venceu a australiana Melissa Tapper por 4×2 na fase preliminar e perdeu para a jogadora de Luxemburgo, Ni Xialian por 4×2 sendo eliminada no simples. Estreia no dia 12/8 no torneio por equipes.

Você pode ouvir nossa entrevista com Caroline aqui:

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