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Assédio: o assunto que nunca sai de pauta para jornalistas mulheres

Juliana em uma visita solitária à cabine de imprensa do Camp Nou, em Barcelona (foto: acervo pessoal)

A mulher que atua no jornalismo esportivo já sabe que, cedo ou tarde, vai sofrer assédio por causa do trabalho. Entre torcedores, jogadores, dirigentes, colegas, entrevistados. Assédio moral e sexual. E eu sabia disso: em quatro anos no jornal impresso, já tinha passado por algumas experiências ruins.

Mas o assédio na televisão é outro nível. E em duas semanas como repórter de TV, além da experiência maravilhosa de trabalhar com imagem no esporte, que vem me realizando muito como profissional, me vi em situações extremamente constrangedoras.

Gente que nunca me viu me parando na rua para falar do meu corpo. Torcedores se achando no direito de pedir beijo durante o jogo. Piadinhas insolentes. Isso quando não é o próprio entrevistado que resolve fazer “um elogio”.

O assédio em jornalistas mulheres é muito grande no Brasil inteiro – e falamos disso aqui no ano passado -, mas no Nordeste isso é perceptível com muita clareza. Talvez porque essa região, tão vibrante e rica em cultura, também tem o machismo muito arraigado.

E talvez por isso na Bahia, por exemplo, existam tão poucas jornalistas esportivas mulheres. Mais de uma vez percebi ser a única mulher numa sala de imprensa cheia de colegas, assessores, cinegrafistas, jogadores e dirigentes.

Juliana Guimarães, Mariana Aragão, Daniela Leone, Fernanda Varela, Ayana Simões, Clara Albuquerque, Catarina Matos e Manuela Avena são as jornalistas esportivas que estão, hoje, na ativa na imprensa de rádio, impresso e TV.

Dessas, Juliana, Mariana, Ayana, Clara e Daniela trabalham na TV – as três primeiras apresentando programas e Clara no futebol internacional.

Repórter de campo na Bahia, mesmo, só Daniela (e, agora, eu). E isso é muito, muito pouco em termos de referência e visibilidade para as mulheres baianas e nordestinas.

E por isso a campanha #ElasNoEstádio, criada por coletivos femininos de vários clubes do Nordeste (já falei sobre isso aqui), também ressoa para as mulheres que trabalham com o esporte.

Se as torcedoras de Bahia, Vitória, Sport, Ceará, Fortaleza, Náutico e Santa Cruz pedem respeito e equidade nas arquibancadas, as jornalistas levam essa luta para a tribuna de imprensa.

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