Futebol Feminino, Futebol Masculino, machismo

“Ainda me chamam de Mister, mas o importante é o respeito”: Quem é Patrizia Panico, a primeira mulher a assumir uma seleção masculina na Itália

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Há duas semanas, ela foi manchete de boa parte dos jornais do mundo inteiro. Patrizia Panico já fez história dentro de campo pela Itália e agora, fora dele, deixa seu nome marcado como a primeira mulher a comandar uma seleção masculina na Itália, um dos países mais tradicionais do futebol.

Aos 42 anos, a atacante aposentada que tem 110 gols com a camisa Azurra foi anunciada como treinadora da equipe sub-16 do país. Uma mulher comandando um time masculino – algo que, talvez, já não deveria causar tanto espanto, mas de tão raro, é passível de grande comemoração.

“Eu vivo um pouco desse preconceito todo dia. Por exemplo, as pessoas esperam que os treinadores gritem, e mulheres não gritam tão alto. Uma voz mais suave não é símbolo de fraqueza, mas de maior confiança. Você não precisa gritar para se impor”, disse ela à BBC.

Patrizia era assistente de Daniele Zorato, que foi para a seleção sub-19 – com isso, ela assumiu seu posto e já estreou fazendo dois amistosos contra a Alemanha, com uma derrota por 4 a 1 e uma vitória por 3 a 2. Ainda assim, os comandados por ela mostram alguma dificuldade de “se acostumar” com a treinadora e mantêm o costume de se dirigir a ela como faziam com o então técnico: chamando-a de “Mister”.

Os homens estavam acostumados a chamar o técnico de uma maneira masculina, ‘mister’. Eles continuam fazendo isso. Mas eu não me importo, o mais importante é sempre respeitar os dois lados.

Patrizia faz parte do Hall da Fama do futebol italiano e coleciona 110 gols em 200 partidas com a camisa da seleção. Com passagens por clubes como Lazio, Torino e Milan, ela conquistou por nove vezes a Série A, o Campeonato Italiano de futebol feminino.

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A italiana também foi uma das artilheiras da temporada 2007/08 da Champions League Feminina, com 9 gols. Atuando pelo Bardolino, seguiu até a semifinal do torneio, quando foi eliminada pelo alemão Frankfurt. O algoz levantou o caneco da competição com vitória sobre o sueco Umea, equipe então defendida por Marta.

Hoje, fora dos gramados, ela tenta se firmar como treinadora. E como pioneira na seleção sub-16 do país, sua ideia é abrir portas para outras mulheres para que, no futuro, notícias como essa já sejam consideradas “normais”, e não chamem mais tanta atenção.

“Eu só espero que tudo isso se torne normal o mais rápido possível. Não porque mulheres são melhores do que homens, mas porque é justo que todos recebam as mesmas oportunidades de trabalho. No fim, a meritocracia é que deveria prevalecer.”

“Eu recebi muitas mensagens de colegas que esperam que isso seja o começo de algo novo. Eu só espero que meu exemplo possa se tornar algo que passe despercebido em breve, o que significaria que mulheres teriam alcançado um nível importante de emancipação também no esporte. Vamos torcer para que esse passo possa nos fazer acelerar nessa direção.”

Destacada para treinar uma equipe de base, Panico também serve de exemplo aos atletas mais jovens. Ainda garotos, futuros jogadores se acostumam com as mulheres assumindo as mais diversas funções no esporte e podem colaborar para que, no futuro, a sensação de pertencimento do futebol também seja naturalizada em meninas e mulheres.

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