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A verdadeira realeza da Flórida

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O famoso castelo da Disney, localizado no parque temático Magic Kingdom, próximo da cidade de Orlando (Flórida), recebe milhares de turistas diariamente. Há uma procura muito grande pelo show das princesas, que perpetua uma das franquias mais rentáveis do grupo.

O estado que abriga o complexo de parques da Disney, no entanto, está prestes a vivenciar o melhor de seus reinados: o de Marta Vieira da Silva.

Novo reforço do Orlando Pride, a meia foi anunciada sexta-feira pelo clube como “A maior de todos os tempos”. Não fizeram referência a Abby Wambach ou Mia Hamm, dois talentos que fizeram história com a camisa da seleção norte-americana. A maior de todas é Marta, que assinou contrato de dois anos com a equipe da Flórida. E seu acerto teve massiva divulgação em redes sociais, com direito a vídeo mostrando lances e ~dibres da rainha em diversos jogos pela seleção brasileira – alguns, inclusive, contra a própria seleção dos EUA.

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“Ela muda o jogo, é dinâmica. Marca muitos gols, dribla, passa a bola, entende a partida e é apaixonada por futebol. Ela tem as melhores qualidades que podemos esperar de uma jogadora”, disse o escocês Tom Sermanni, técnico do Orlando Pride, em entrevista ao site oficial do clube.

O reinado de Marta não é nenhum conto de fadas. Não tem a delicadeza de um sapatinho de cristal, mas sim um par de chuteiras sujas de grama. Também não envolve bailes de gala, embora a alagoana certamente tenha promovido muitos bailes dentro das quatro linhas. Marta suou muito, sem precisar de um príncipe no cavalo branco, para garantir que sua trajetória caminhasse em direção ao final feliz. Sua história é tão real, como a de tantas meninas que tentam a sorte no futebol brasileiro, que até nos espanta. Apenas em campo, com sua canhota habilidosa, suas arrancadas persistentes e dibres desconcertantes é que nos permitimos acreditar em mágica.

(Foto: Buda Mendes/Getty Images)
(Foto: Buda Mendes/Getty Images)

 

Conexão Brasil – Orlando

Pesquisas realizadas pelo governo norte-americano apontam que, no primeiro semestre de 2015, a cidade de Orlando recebeu mais de 800 mil turistas brasileiros. A prefeitura local estimava 30 mil nativos do Brasil vivendo na cidade. As informações também mostram que, dois anos antes, 57% dos brasileiros que visitaram os EUA naquele ano chegaram ao país pelo estado da Flórida.

De acordo com a BBC, apesar das restrições de visto e entrada no país, impostas pelo governo Trump, e da crise econômica que vivemos, o Brasil se mantém como o quarto país com maior quantidade de turistas visitando os EUA.

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

Esses dados não foram acrescentados no texto por acaso. Mostram que, há algum tempo, existe uma relação cada vez mais direta entre Orlando e o Brasil. As próprias equipes de futebol Orlando City e Orlando Pride são de propriedade de Flávio Augusto da Silva, um empresário brasileiro. Temos Kaká como uma das estrelas do City e até transmissão da Major League Soccer (MLS) na TV fechada. Apesar de não ser a primeira passagem de Marta pelos EUA (a jogadora atuou no FC Golden Pride, em 2010, e no Western New York Flash, em 2011), o período na Flórida talvez desperte a curiosidade dos brasileiros que desejam ver a craque de perto.

Para a própria jogadora a mudança deve ser positiva, principalmente com o aumento da média de público em relação ao que estava acostumada no Rosengard, da Suécia, cujo estádio tinha capacidade para 7.600 pessoas. Em 2016, o Orlando Pride atraiu 23.403 pessoas para sua casa e bateu o recorde de público da National Women’s Soccer League (NWSL).

A estreia da equipe este ano, marcada para 15 de abril, promete uma boa quantidade de pessoas. O Orlando jogará fora de casa contra o Portland Thorns, que apresentou média de 17 mil pessoas na temporada passada e mantém um público respeitável na competição. Um público digno de rainha, cá entre nós.

Como acompanhar?

Se você chegou até aqui no texto, é porque se interessa pelo futebol de Marta. A camisa 10 da seleção atuará ao lado das compatriotas Mônica Hickmann e Camila Martins Pereira. Outro atrativo do Orlando Pride é a atacante Alex Morgan, atualmente emprestada ao Lyon, da França, para a disputa da Champions League Feminina.

Acompanhar a NWSL é mais fácil do que imaginamos. O canal oficial da liga no YouTube transmite as partidas e divulga entrevistas, análises, melhores gols da rodada e curiosidades da competição. Os clubes também se encarregam de uma divulgação pra lá de bem feita em suas redes sociais, facilitando a vida de quem aprecia a modalidade.

Isso significa que precisamos da internet para acompanhar Marta e outras brasileiras que atuam nos EUA? Sim, significa. Enquanto não houver interesse da mídia em cobrir o futebol feminino, continuamos dando nosso jeito para assistir as partidas – até porque, convenhamos, já mostramos aqui no ~dibradoras mais de uma vez que há interesse do público, sim.

Marta ainda tem muita genialidade para mostrar no futebol. E pretendo acompanhá-la de perto, ainda na esperança de que, um dia, ela atuará novamente no Brasil. Como súdita, me curvo diante de sua grandeza.

Reprodução/Instagram
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