Futebol Feminino

A saga da pequena dibradora

Aos 4 anos:
“Mãe, quero jogar futebol.”
“Filha, por que não natação? Ajuda a crescer, faz bem pro pulmão.”
Compra touca, compra óculos, matricula na aula. Odeia aula. Ela quer futebol.

Aos 5 anos:
“Mãe, quero jogar futebol.”
“Filha, por que não karatê? Esporte oriental, tão bom para disciplina.”
Compra quimono, compra faixa, leva na aula. Ela até gosta, é divertido. Mas ela quer futebol.

Aos 7 anos:
“Mãe, quero jogar buycialiscanadaonline futebol.”
“Mas filha, por que não jazz? Tão feminino, tão delicado e nem é rosa como balé.”
Compra body, compra meia calça, faz o coque. Ela quase morre de desgosto.

Aos 8 anos:
“Mãe, quero jogar futebol.”
“Mas filha, tão violento, ó como ficam suas canelas, parece um menino. E nem tem escolinha para você.”
Não compra nada, porque ela não quer fazer mais nada.

Aos 9 anos:
“Mãe, eu vou jogar futebol: agora tem uma escolinha no clube.”
“Por que não… outra coisa?”
“Por favor, mãe.”
Com um sorriso inversamente proporcional ao dia que comprou sua sapatilha do jazz, ela foi com o pai comprar sua primeira chuteira. Não pestanejou e já pediu uma caneleira para se proteger dos roxos que a mãe tanto falava.

Vendo a alegria da filha, não vou dizer que a mãe nunca mais reclamou. Reclamou, se preocupou, foi assistir a poucos jogos porque morria de medo de ver a filha se machucar. Mas quando a menina saía para cada treino, para cada jogo, a mãe via sua filha feliz. E aí, ela se deparou com o primeiro “por que não?” que valia a pena:

“Se a faz feliz, por que não?”

Foto: Andrea Corradini para o Projeto #GameFace.