Futebol Feminino

A história da Champions League e os planos da Uefa para o futebol feminino

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O sonho de qualquer jogador de futebol hoje em dia, muitas vezes até mais do que ganhar uma Copa do Mundo, é conquistar a tão cobiçada “orelhuda”. A competição europeia, que surgiu em 1955 e foi ganhando importância até se tornar o principal torneio de clubes do mundo, é o ápice de todo atleta. Os meninos de hoje em dia, aliás, já sonham com o dia em que ouvirão tocar in loco aquele hino que só faz arrepiar…”THE CHAAAAAAAAMPIONNNNSSS!”.

Pois esse desejo, afinal, agora não é mais “só” deles. Desde o início da década de 2000 – no ano de 2001, para ser mais precisa -, as mulheres passaram a ter a oportunidade de sonhar igual. Foi naquele ano, na temporada 2001-02, que elas tiveram pela primeira vez a chance de disputar a chamada “Women’s Champions League”, a Liga dos Campeões de futebol feminino.

Naquela primeira edição, foram 33 clubes que, junto com a Uefa, ousaram dar o pontapé inicial para fazer o primeiro torneio europeu de futebol feminino. Dali em diante, o crescimento foi inevitável. Os 33 se tornaram 35 no ano seguinte, depois 40 em 2003-04, depois 43 em 2004-05, 45 em 2007-08 até chegarem aos incríveis 59 clubes que disputam a competição atualmente.

Com a evolução da Champions feminina, hoje ela virou uma das principais ambições das jogadoras ao redor do mundo – atraindo até mesmo grandes nomes dos Estados Unidos, o berço do futebol feminino, que agora tem perdido atletas para o Velho Continente.

Para se ter ideia do nível da competição deste ano – que começou em 2016 e está indo para as quartas-de-final nesta semana -, as melhores jogadoras do mundo estarão em campo pela Champions League.

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A atacante americana Carli Lloyd, ganhadora da Bola de Ouro da Fifa nos últimos dois anos, representará o Manchester City; sua compatriota e também craque Alex Morgan, trocou recentemente o Orlando Pride pelo tradicional Lyon para ter a experiência de competir na Europa – e para ser “a melhor do mundo”, como ela mesma disse.

Tem também a campeã olímpica Melanie Behringer jogará pelo Bayern de Munique; a cinco vezes melhor do mundo e terceira maior artilheira do torneio, Marta, estará com o Rosengard; e a melhor surpresa de todas, Formiga, a nossa incansável meio-campista, fará sua estreia no futebol europeu aos 39 anos vestindo a camisa do Paris Saint-Germain; Cristiane, nossa artilheira, estará do lado dela pela equipe francesa.

Com tamanhas atrações, o torneio europeu começa a se firmar como um dos principais do futebol feminino. Mas, se hoje, ele já evoluiu bastante e pode ser considerado “modelo”, no passado ele já sofreu com os problemas que assolam o futebol feminino há décadas.

História

Assim como no Brasil, o futebol feminino também teve suas proibições em países da Europa – na Inglaterra, por exemplo, foram 50 anos de banimento, quando desde a década de 1920 até a de 1970, a Federação Inglesa proibiu que o futebol fosse praticado por elas – o que, consequentemente, contribuiu, e muito, para a não evolução da modalidade.

Sendo assim, para se atingir uma competição de excelência como a Champions League, não havia times preparados, ou até mesmo dispostos. Não havia investimentos, não havia sequer uma premiação que justificasse – foi só em 2010 que a Uefa decidiu aprovar prêmios para as equipes que chegassem à finalíssima.

No ano seguinte, ampliou-se o “benefício”, que foi estendido para semis e quartas-de-final, apenas com alguma diferença no valor recebido. Atualmente, o campeão da Champions League fica com 250 mil euros de prêmio, o vice com 200 mil, os times perdedores das semifinais ficam com 50 mil e os que só chegaram até as quartas recebem 25 mil.

No torneio masculino, as premiações são bem distintas e bem mais altas – o campeão recebe 15 milhões de euros, por exemplo.

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Final da Champions em 2012 levou mais de 50 mil pessoas ao Estádio Olímpico de Munique

Ainda assim, não cabe fazer comparativos aí, muito menos financeiros. A Champions masculina já é absoluta, já tem patrocinadores-mil, estádios lotados, visibilidade nos canais de televisão do mundo inteiro. A feminina, ainda não. Ainda – porque essa realidade pode bem estar em processo de mudança.

Prova disso é que cinco anos atrás, na final do torneio de 2011-12 em Munique, mais de 50 mil pessoas encheram o Estádio Olímpico para acompanhar a decisão entre Frankfurt e Lyon. Um recorde do futebol feminino na Alemanha – e também da Champions League delas.

É verdade que a média de público dos principais times ainda é um pouco baixa, raramente conseguindo ultrapassar a marca dos 8 ou 10 mil por jogo – e, muitas vezes, ficando bem abaixo disso.

Mas a Uefa tem um plano, literalmente, para mudar essa realidade. O plano europeu de desenvolvimento do futebol feminino.

Uefa

Foi em 2010 que a Uefa notou um crescimento gigantesco no futebol das mulheres e decidiu fazer algo para incentivá-lo.

Para isso, a entidade desenhou uma lista de valores que encontrava no futebol feminino e passou a usá-los para nortear as metas do plano – que não se resumiam a “incentivar meninas e mulheres a jogarem futebol.

Pelo contrário, ele tinha ações em todos os ângulos – trazer mais mulheres para cargos de gestão do futebol, por exemplo, desenvolver o futebol feminino como instrumento de empoderamento para a mulher, garantir que todas as federações tivessem também competições femininas, entre outras coisas.

A ideia era, basicamente, fazer com que as mulheres tivessem as oportunidades que lhes faltavam. De lá para cá, o jogo evoluiu muito, e a Champions League é prova disso. Hoje, das 55 federações vinculadas à entidade, 47 têm representantes na competição europeia. A Euro também tem crescido e mostrado seu potencial – em sua última edição, em 2013, a final entre Alemanha e Noruega teve mais de 41 mil pessoas na arquibancada.

Cada vez chamando mais mulheres envolvidas com o futebol para cargos de comando na Uefa, a entidade tem mostrado comprometimento com a modalidade para fazê-la crescer mais e mais.

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Lyon é o segundo maior campeão da história da Champions League feminina

Atualmente, a ex-meio-campista alemã Nadine Kessler – melhor do mundo em 2014 – é quem assume o cargo de “conselheira de futebol feminino” na Uefa já com o objetivo de manter o plano de desenvolvimento da modalidade.

“O jogo das mulheres está evoluindo em ritmo alto e as oportunidades estão se abrindo agora, coisas que nós não poderíamos nem sonhar quando eu estava começando minha carreira”, disse a ex-atleta.

“Eu quero fazer tudo o que puder para elevar ainda mais o nível das competições, como a Euro feminina e a Champions League, porque isso irá ajudar a desenvolver o futebol feminino em toda a Europa.”

O atual presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, também tem se mostrado favorável ao desenvolvimento do futebol feminino.

“Eu sinto que há um grande potencial para desenvolvermos no futebol feminino e melhorias que podemos implantar. Estou também procurando formas de melhorar a Champions League, para dar a ela ainda mais importância e atenção do que ela tem hoje”.

A CHAMPIONS LEAGUE EM NÚMEROS

Formato: Os times são divididos em grupos de quatro times e se enfrentam na primeira fase. Depois, há o chamado mata-mata, começando com 32 times, passando para oitavas, quartas, semifinais – todas em dois jogos, um em casa e um fora – até a final única num estádio pré-definido, como acontece no masculino. Neste ano, a final será em 1º de junho em Cardiff, na Inglaterra, e os ingressos estão à venda por incríveis €7 (cerca de R$ 23)!

Clubes que mais venceram
Frankfurt: 4 títulos e 2 vices
Lyon: 3 títulos e 2 vices
Umea: 2 títulos e 3 vices.

Países com mais conquistas
Alemanha: 9 títulos, 5 vices
França: 3 títulos, 3 vices
Suécia: 3 títulos, 5 vices
Inglaterra: 1 título
Rússia: 1 vice
Dinamarca: 1 vice

Artilharia
Anja Mittag (Alemanha): 49
Conny Pohlers (Alemanha): 48
Marta (Brasil): 46

Confrontos das quartas-de-final 2016-17 – confrontos de ida acontecem em 22 e 23 de março e de volta em 29 e 30 de março
Rosengard (SUE) x Barcelona (ESP) – teremos o confronto brasileiro entre Marta, do time sueco, e Andressa Alves, do Barça.
Fortuna (ALE) x Manchester City (ING) – aqui também tem brasileira: Chú Santos, ex-Corinthians, joga pelo Fortuna e vai enfrentar a craque Lloyd, do City.
Bayern de Munique (ALE) x PSG (FRA) – finalista da Bola de Ouro, Melanie Behringer vem com tudo para conquistar o título que não tem pelo Bayer, e enfrenta as brasileiras Cristiane e Formiga, que fará sua estreia na Champions aos 39 anos!
Wolfsburg (ALE) x Lyon (FRA) – jogaço, reedição da final da temporada passada com o reforço de peso de Alex Morgan no Lyon.

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